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O Presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu esta sexta-feira que cortar no apoio financeiro à Ucrânia, como propõe Marine Le Pen, candidata presidencial da direita nacionalista, equivaleria a “deitar borda fora a segurança” da Europa e dos franceses.
“Ajudar a Ucrânia não é uma questão de mera boa vontade. É do nosso interesse, é um consenso entre os europeus e diz respeito à nossa segurança”, disse Macron numa conferência de imprensa no final de uma cimeira europeia em Bruxelas.
“Portanto, aqueles que hoje defendem que se deve deixar de apoiar a Ucrânia e cortar o seu financiamento estão a deitar borda fora a segurança da nossa Europa e, sobretudo, a segurança dos franceses”, acrescentou.
Favorita nas sondagens para suceder a Macron nas eleições de maio de 2027, Marine Le Pen declarou que, caso seja eleita Presidente, “manterá” a ajuda financeira à Ucrânia durante seis meses e depois “acabará” o apoio.
Macron sublinhou que “a capitulação é fraqueza e a fraqueza é perigo”, manifestando surpresa com “a falta de humildade que alguns demonstram ao falar como se já estivessem em funções”.
“Tenhamos respeito pelos franceses; eles votarão (…) O dia chegará. Alguém será escolhido”, apontou. Até lá, a “responsabilidade” pela gestão do país cabe-lhe, “em conformidade com a Constituição”, salientou.
Num encontro com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na quinta-feira em Bruxelas, Macron prometeu que a França vai continuar ao lado de Kiev.
Kiev reportou cortes de emergência no fornecimento de energia na quarta-feira, após mísseis russos terem atingido as três centrais termoelétricas que operam na capital ucraniana e na região envolvente.
Foram ainda anunciados cortes em Kharkiv, que também foi alvo deste último ataque de mísseis russos contra instalações energéticas.
A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e «desnazificar» o país vizinho, independente desde 1991 – após a desagregação da antiga União Soviética – e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.
No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda pelo menos quatro regiões – Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia – além da península da Crimeia, anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte, bloco de defesa ocidental).