Epidemias e Pragas

Cabo Verde combate praga da lagarta do milho com químicos e inimigos naturais

O ministro da Agricultura cabo-verdiano revelou esta terça-feira que a praga está a causar danos nas culturas de sequeiro e o combate vai ser feito com recurso a químicos e inimigos naturais.

Ana Freitas/LUSA

O combate contra a lagarta do cartucho do milho, que está a causar danos nas culturas em Cabo Verde, vai ser químico e com recurso aos inimigos naturais desta praga, revelou esta terça-feira o ministro da Agricultura e Ambiente cabo-verdiano.

Gilberto Silva falava aos jornalistas à margem da sessão que assinala o Dia Mundial da Alimentação, na cidade da Praia, referindo-se a uma praga que está a provocar estragos nas culturas de sequeiro nos municípios de Santa Cruz e Tarrafal, na ilha de Santiago, e Mosteiros (ilha do Fogo).

A lagarta do cartucho do milho ataca este cereal, desde o crescimento, passando pela floração e até à fortificação.

Para o seu combate, o Governo de Cabo Verde recorreu à ajuda da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e do Brasil, país com grande conhecimento nesta matéria. O ministro referiu que esta cooperação tem sido “muito concreta e profícua”.

O objetivo é travar uma “luta integrada” contra esta praga, a qual passa por um combate químico, mas também a utilização de inimigos naturais desta praga, bem como a outras técnicas que os agricultores vão ter desenvolver no terreno e que vão contar com toda a assistência do Ministério.

A meta é ter “uma praga presente, mas controlada. É isto que os outros países têm vindo a fazer”, disse Gilberto Silva.

Relativamente à praga dos mil-pés, que atinge a ilha de Santo Antão desde os anos 70 e que levou a um embargo dos produtos desta ilha desde 1984, o ministro esclareceu que “em momento algum” o Governo disse que iria levantar o embargo totalmente.

“Não será um levantamento total e de um dia para o outro. Se fizéssemos isso estaríamos a perigar a produção nas outras ilhas, porque a praga dos mil-pés é difícil de combater, como sabemos”, adiantou.

Questionado sobre o atual ano agrícola, que contou com alguma chuva, mas reconhecidamente insuficiente, Gilberto Silva revelou que existe um relatório preliminar, mas que está ainda a ser analisado.

“Ainda temos o mês de outubro e é provável que ainda chova e as coisas melhorem em algum concelho. Precisamos de mais recarga dos lençóis freáticos. A nível do pasto as coisas vão muito bem na maior parte das ilhas”, disse.

Segundo o ministro, “há ilhas em que não choveu, como na Boavista, que não é propriamente a ilha mais agrícola, mas precisa de medidas mitigadoras, nomeadamente ao nível do pasto”.

Sobre o Dia Mundial da Alimentação, Gilberto Silva recordou que nos dias de hoje Cabo Verde não vive a fome: “Faz parte do passado”.

“Quando se fala de Fome Zero [lema da campanha da Organização das Nações Unidas para a Alimentação para esta efeméride] está-se a falar de políticas que contribuam para o reforço da segurança alimentar no mundo, fome e todas as formas de má nutrição”, adiantou.

E defendeu: “Temos de por mais na agenda a problemática da segurança alimentar e nutricional e implementar toda esta estratégia”.

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