Um desfile militar de grandes dimensões, com passagem de caças F-16, assinala, este domingo, na Avenida da Liberdade, em Lisboa, os cem anos do Armistício da I Guerra Mundial, reunindo as altas figuras do Estado. A cerimónia evocativa dos cem anos do fim da I Guerra Mundial (1914-1918) começou às 11h com a chegada do Presidente da República e do Comandante Supremo das Forças Armadas, que passou revista às forças em parada e discursou às 11h30 depois de uma homenagem aos mortos, com a deposição de uma coroa de flores.

O desfile militar começou em seguida no sentido descendente da Avenida da Liberdade, a partir do Marquês de Pombal até aos Restauradores, reunindo cerca de 4.500 elementos, dos quais 3.437 militares das Forças Armadas, 390 militares da GNR, 390 polícias da PSP e 160 antigos combatentes. Estão ainda representadas as forças armadas da Alemanha, EUA, França e Reino Unido, com 80 militares, e o Colégio Militar e os Pupilos do Exército, com 180 alunos.

Marcelo Rebelo de Sousa, após colocar uma coroa de flores junto ao Monumento Nacional de Homenagem aos Mortos da Grande Guerra, durante o momento que lembrou os mais de 7 mil portugueses que morreram no conflito, fez um discurso breve onde lembrou aqueles “que se bateram por terra, pelo mar e pelo ar, todos quantos puderam, há um século, celebrar o dia da vitória da paz”.

“Esses heróis lutaram pela compreensão contra o ódio, pela liberdade, contra a opressão, pela justiça, contra a iniquidade, pela Europa aberta contra a Europa fechada, o mundo solidário contra o mundo dos egoísmos, das xenofobias, das exclusões. Não toleraremos que se repita a sangrenta divisão da Europa. Não toleraremos que se repita perder-se a paz, ganha com tantas mortes às mãos de aventureiros criadores de novas guerras, não toleraremos que se repita o uso das Forças Armadas ao serviço de interesse, pessoas, grupos ou de jogos de poder, enquanto soldados se batiam pela Pátria e pela Humanidade”, acrescentou o Presidente da República.

Além de afirmar que sem as Forças Armadas “não há liberdade nem segurança nem democracia nem paz” e que quem “dentro ou fora isto não entender, não entendeu nada do passado nem do presente nem do futuro de Portugal”, Marcelo Rebelo de Sousa anunciou a condecoração dos três ramos das Forças Armadas que combateram na I Guerra Mundial com a Ordem Militar da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito.

O desfile é organizado pela Liga dos Combatentes e pelo EMGFA e obrigou a medidas especiais de segurança e a restrições de trânsito na cidade, com a PSP a apelar aos cidadãos que queiram assistir a utilizar os transportes públicos, especialmente o metropolitano.

Contagem decrescente para a grande cerimónia deste domingo!A Avenida da Liberdade vai encher-se de simbolismo para…

Posted by Forças Armadas Portuguesas on Thursday, November 1, 2018

A cerimónia conta ainda com 111 viaturas e motos das forças de segurança, 86 cavalos e 78 viaturas das Forças Armadas. A completar o dispositivo, há uma componente naval, com uma fragata e um navio de patrulha oceânico fundeados no Tejo, e a formação de aeronaves F-16, para passagem aérea durante a homenagem aos mortos.

Com o propósito de “homenagear a paz” e “honrar a memória” dos 100.000 portugueses que combateram na I Guerra Mundial e os 7.500 que morreram no conflito, a cerimónia pretende ainda “estimular o orgulho nacional” e ser “um ato de cidadania”, segundo porta-voz do EMGFA, chefiado pelo almirante António Silva Ribeiro.

Quanto às medidas especiais de segurança, a Avenida da Liberdade está delimitada em zonas para o público, com gradeamentos e carris anti-veículo. A operação não prevê controlo de acessos, mas envolve “alguns milhares de polícias” de várias unidades face ao “risco significativo” que a PSP associa a iniciativas desta dimensão e com a presença de altas entidades.

Portugal participou na Grande Guerra com cerca de 100.000 homens ao lado dos aliados, enviando para a frente ocidental o Corpo Expedicionário Português, em 1917. Os soldados portugueses estiveram também presentes na frente de Angola, em 1914-1915, em Moçambique, entre 1914 e 1918, e em França, em 1917 e 1918.

Quem vai estar presente?

Além do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro-ministro, António Costa, o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, o ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, vão marcar presença os ex-presidentes da República António Ramalho Eanes e Jorge Sampaio, segundo o Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA).

Que ruas estão cortadas?

A Alameda Cardeal Cerejeira e a Alameda Edgar Cardoso estão encerradas à circulação desde as 22h de sexta-feira e assim vão permanecer entre as 12h30 deste domingo. O trânsito está ainda totalmente interrompido na Avenida da Liberdade e nos acessos entre o Marquês de Pombal e o Rossio, no túnel do Marquês de Pombal e a partir do viaduto Duarte Pacheco, na rua Barata Salgueiro e no entroncamento com a rua Mouzinho da Silveira.

Nos acessos à Avenida da Liberdade, existem cortes no largo da Anunciada, na rua das Pretas, na calçada do Moinho de Vento, na rua Santo António dos Capuchos e, no lado oposto, na Praça da Alegria, sendo garantido o acesso ao parque de estacionamento dos Restauradores pelo lado da rua de S. José e a saída pela rua das Pretas. Também não será possível chegar aos Restauradores a partir do Rossio.

Na avenida Fontes Pereira de Melo, o corte será feito a partir da rua Filipe Folque com a avenida António Augusto de Aguiar e na praça Duque de Saldanha. O trânsito para a avenida Duque de Loulé será encaminhado para o sentido ascendente da Fontes Pereira de Melo, enquanto for possível. O trânsito também não vai circular na rua Alexandre Herculano, rua Braamcamp, rua Rodrigues Sampaio, rua Joaquim António de Aguiar e ainda rua Castilho. Também a lateral ascendente da avenida, a partir da rua da Praça da Alegria, ficará fortemente condicionada.

O trânsito na Avenida da Liberdade deve ser reaberto pelas 15h, enquanto que nas restantes vias de acesso a circulação deve ser reposta mais cedo, por volta das 14h.

Os condicionamentos vão ainda afetar o acesso da calçada do Carmo à rua 1.º de Dezembro, o acesso da Praça da Figueira ao Rossio, a rua da Prata, rua do Ouro, rua da Conceição, rua de São Julião, rua do Comércio, Praça do Comércio, rua da Alfândega e rua do Arsenal. Na zona ribeirinha, estará cortada a Avenida Ribeira das Naus, a partir do Cais do Sodré e a avenida Infante D. Henrique a partir de Santa Apolónia, sendo o trânsito desviado no viaduto de acesso à avenida Mouzinho de Albuquerque.