O modelo de negócio das seguradoras tradicionais “não está ainda equipado para corresponder às expectativas dos consumidores, cada vez com maior conhecimento sobre tecnologias”, admite a Moody’s. Isto faz com que, a par de outros desafios que o setor enfrenta, “o sucesso de longo prazo [das empresas] não está assegurado”, defende a divisão da agência de rating especializada na área de seguros e resseguros num estudo divulgado esta semana.

O relatório da Moody’s chama-se “A crescente ameaça de disrupção empurra as (res)seguradoras para aumentar o investimento em tecnologia”. No estudo, lê-se que, à medida que a tecnologia se torna mais acessível economicamente, os consumidores estão a exigir mais e melhores serviços na interação com as instituições financeiras de serviços. As empresas do setor estão a investir “proativamente em tecnologia, para se manterem relevantes junto dos consumidores e para aumentar a rendibilidade”, num contexto de margens escassas e baixo crescimento das receitas.

“Enquanto a maioria das seguradoras estão ativamente a adaptar-se ao mundo digital, a rápida evolução da tecnologia e as potenciais medidas regulatórias mudam, limitando os seus benefícios. Isto significa que o sucesso [das empresas] a longo prazo não está garantido”, afirma Helena Kingsley-Tomkins, uma analista da agência. “Tecnologias promissoras podem, rapidamente, tornar-se obsoletas, o que significa que os grupos com mais probabilidades de sucesso são aqueles que tiverem ‘almofadas’ de capital sólidas, operações robustas e significativos recursos financeiros”, continua.

A médio prazo, a solução pode passar pela colaboração com as recentes seguradoras InsurTech, que surgiram já com uma base tecnológica avançada implementada de origem. A agência afirma que aliar estes modelos de negócio de seguradoras mais recentes, as mais antigas podem, assim, combater o perigo de disrupção e ajudar à modernização da indústria.

As Insurtech, que inicialmente começaram por disponibilizar serviços focados na venda de imóveis e acidentes, estão a crescer rapidamente e, agora, estão noutras áreas, como a de seguros de saúde. A longo prazo, os dispositivos inteligentes conectáveis, como os sistemas de segurança domésticos, wearables e carros autónomos, vão reduzir o número de acidentes e perdas para as seguradoras, diz o relatório.

Contudo, como este tipo de tecnologia disruptiva pode ainda estar a “décadas” de distância, as seguradoras ainda se podem adaptar a estas inovações, afirma o estudo.