A agência de ‘rating’ americana Moody’s considera que a banca portuguesa é uma das principais beneficiárias do mercado imobiliário “mais forte” que existe neste momento e que conduz a uma melhor situação do crédito malparado.

Num relatório sobre o estado do mercado imobiliário nacional, a empresa salienta que os “rácios de NPL [‘non performing loans’, ou seja, o crédito malparado] dos bancos portugueses irão continuar a melhorar enquanto os preços das casas prosseguem a subir e a economia está a fortalecer-se, ainda que a um ritmo mais moderado”.

A Moody’s refere que “o crescimento económico, maior recuperação de créditos, amortizações e venda de alguns NPL” causou um decréscimo na acumulação de ‘stocks’ destes créditos problemáticos no balanço dos bancos portugueses, verificado em 2017 a na primeira metade de 2018 “de forma substancial”.

Apesar disso, os rácios de NPL em Portugal (de 12,4% no final de junho de 2018) continuam acima da média de 4% da União Europeia, relembra a Moody’s. A agência aponta ao dedo aos créditos às empresas, com um rácio de 22,3% de NPL no fim deste ano, face ao crédito à habitação, que está com 4,9% de incumprimento.

Ainda assim, os níveis de crédito à habitação só subiram “ligeiramente” na banca, segundo a agência, apesar do aumento dos preços e das baixas taxas de juros.

A Moody’s espera que nos próximos 12 a 18 meses os preços das casas continuem a aumentar e considera que isso é positivo para os agentes do setor. No entanto, a agência alerta para uma “aceleração acentuada” dos preços em certas áreas, nomeadamente em Lisboa e algumas zonas do Porto “sobretudo se não houver uma correspondência entre os níveis de rendimento e a inflação dos preços”.

A empresa avisa que o mercado pode ficar “desequilibrado” se os compradores “tiverem expectativas pouco realistas do aumento dos preços nestes distritos”.

Para a agência, o aumento dos preços é positivo também para o mercado de obrigações hipotecárias e para os títulos garantidos por hipotecas residenciais (RMBS em inglês). À imagem do que acontece com os NPL, ficam assim limitadas as perdas nos empréstimos em caso de incumprimento dos devedores, porque o valor das propriedades que são depois vendidas chega para cobrir uma grande parte do dinheiro perdido.

A redução do desemprego também ajuda a manter o mercado imobiliário em valores elevados, com melhores condições financeiras de quem pede empréstimos, segundo a Moody’s.

A agência prevê uma taxa de desemprego de 6,6% no final de 2018 e um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1% a 2% nos próximos dois a três anos.