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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, especial Irão, hoje com o jornalista Carlos Pedro. Ora viva, Carlos.
Boa tarde, Ricardo.
Vamos começar a falar dos houthis. O grupo rebelde do Iémen abateu hoje um caça saudita F15.
Estava a sobrevoar o espaço aéreo do Iémen, na província de Ma'rib. O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, numa publicação na rede social X, diz que o avião foi atingido enquanto realizava operações que classificou como hostis em apoio às forças sauditas na região. De acordo com o porta-voz, o avião foi abatido com recurso a um míssil terra-ar fabricado localmente. Entretanto, ainda sobre os houthis, negaram hoje ter tentado atingir a cidade sagrada de Meca, na Arábia Saudita. As autoridades de Riade anunciaram antes a interceção e destruição de um drone. Issam al-Assad, membro do gabinete político dos houthis, fala numa mentira repugnante. São declarações que surgem depois de a Organização de Cooperação Islâmica, liderada precisamente pela Arábia Saudita, ter condenado alegados ataques contra Meca e a região de Medina. As autoridades sauditas disseram tratar-se da segunda tentativa de atingir a cidade sagrada depois do ataque com um míssil balístico em julho de 2017. Os houthis continuam a avançar pelo mar Vermelho, colocando em risco o transporte de petróleo bruto pelo estreito de Bab el-Mandeb.
E tudo isto, Carlos, enquanto Ormuz continua encerrado à navegação e, com isso, não é novidade nenhuma, sobem os preços dos combustíveis.
E navegam também menos embarcações por Ormuz. Apenas quatro navios atravessaram o estreito ontem, isto de acordo com dados do tráfego marítimo citados pela Reuters. O número representa uma descida face aos sete navios registados no dia anterior. Dos quatro navios que ontem passaram por Ormuz, dois entraram no estreito, outros dois saíram. São dados provisórios. Ainda assim, o número de travessias fica muito abaixo da média diária de 18, registada nos 10 dias anteriores. Esta manhã, os contratos futuros do petróleo Brent, a referência europeia, estavam a custar 108 dólares por barril.
Falamos também da Guarda Revolucionária Iraniana, que diz ter abatido um drone sobre a ilha de Qeshm.
Um drone, desta vez norte-americano, o MQ9, dizem as autoridades de Teerão, de acordo com comunicado divulgado pela agência iraniana semioficial Tasnim e citado pela Al Jazeera. O drone foi abatido de madrugada sobre a ilha de Qeshm. A imprensa iraniana reportou também no dia de ontem algumas explosões neste território próximo do estreito de Ormuz.
No entanto, há negociações de paz para reduzir as tensões no Médio Oriente. Egito e Líbano têm para hoje marcada uma reunião.
Vai juntar o ministro egípcio dos Negócios Estrangeiros, Badr Abdelatty, e o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam. Os dois vão discutir a situação regional e os esforços para reduzir as tensões no Médio Oriente. O Egito continua a reafirmar o apoio à soberania, unidade e estabilidade do Líbano.
E Carlos, a guerra no Médio Oriente foi hoje mencionada no debate do Estado da União Europeia por parte de Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, deixa críticas diretas a Israel.
Von der Leyen condena o projeto de colonatos na Cisjordânia, que está a ser levado a cabo por Telaviva. A diplomata falou no sofrimento que se vive em Gaza e na violência desenfreada dos colonos israelitas na Cisjordânia. Von der Leyen diz que estes episódios afetaram profundamente os europeus. Reforça ainda que a Europa continua a defender a solução dos dois Estados. Afirma também que a União Europeia está na vanguarda do apoio aos palestinianos. Ainda assim, reforça também que a Europa apoia o direito de Israel à autodefesa. Cabe à Europa manter viva a chama da solução de dois Estados, diz Ursula von der Leyen, que referiu ainda que a Europa reagiu melhor do que se esperava aos conflitos no Médio Oriente.
E é precisamente com as palavras da presidenta da Comissão Europeia que terminamos este episódio da "Guerra Traduzida", especial Irão, sobre os conflitos no Médio Oriente. A edição de hoje esteve a cargo do jornalista Carlos Pedro.