O comité organizador da cimeira sobre abusos sexuais por parte do clero, que se realiza no Vaticano de 21 a 24 de fevereiro, pediu esta terça-feira aos presidentes das conferências episcopais de todo o mundo para ouvir as vítimas nos seus países.

Numa carta enviada a todas as conferências episcopais, a organização da cimeira apela a todos os participantes para “seguir o exemplo do papa Francisco e encontrarem-se pessoalmente com as vítimas de abusos antes da cimeira em Roma”.

“O primeiro passo deve ser tomar consciência da verdade do que aconteceu. Por esta razão, pedimos a cada presidente da conferência episcopal que se aproxime e visite as vítimas que sofreram abusos do clero nos seus respetivos países, antes da reunião de Roma e ouvir, em primeira mão, o seu sofrimento”, escrevem os membros do comité organizador escolhido por Francisco.

Na carta, a organização explica que “esses encontros pessoais são uma maneira concreta de reafirmar que os sobreviventes de abusos clericais são a prioridade de todos durante a reunião de fevereiro”.

O papa Francisco escolheu para o comité organizador o arcebispo de Chicago (EUA), Blase J. Cupich; o arcebispo de Bombaim, Oswald Gracias, e duas figuras que têm protagonizado a batalha contra os abusos: o vice-secretário recém-nomeado da Congregação para a Doutrina da Fé, Charles Scicluna, e o presidente do Centro para a Proteção das Crianças da Pontifícia Universidade Gregoriana e membro da Comissão para a Tutela dos Menores, Hans Zollner.

Bispos portugueses discutem a questão em janeiro

Em Portugal, a carta chegou ao cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, atual presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP). O assunto deverá estar em cima da mesa na próxima reunião do conselho permanente da CEP, em janeiro, admitiu ao Observador o secretário e porta-voz da CEP, padre Manuel Barbosa.

Na reunião, os bispos portugueses deverão discutir de que forma pôr em prática o pedido do Vaticano, sendo quase certo que o cardeal-patriarca de Lisboa se irá mesmo encontrar com vítimas de abusos sexuais em Portugal.