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Questão da Autoeuropa foi “encenação e desviar de atenções”, segundo o sindicato dos estivadores

O líder do sindicato afirmou que a questão da Autoeuropa foi uma encenação que "correu mal, porque os trabalhadores revoltaram-se" e "parou completamente um porto que estava a trabalhar em 50%".

O presidente do Sindicato dos Estivadores do Centro e Sul de Portugal, António Mariano

MÁRIO CRUZ/LUSA

O presidente do Sindicato dos Estivadores e Atividade Logística (SEAL) considerou esta quarta-feira que a questão da Autoeuropa foi uma “encenação” e um “desviar de atenções” para o porto de Setúbal, no âmbito da greve dos estivadores.

Em audição no Comissão parlamentar de Economia, Inovação e Obras Públicas, no âmbito de um requerimento do Bloco de Esquerda, o líder sindical lembrou que durante três meses houve greve ao trabalho suplementar e a fábrica de Palmela do grupo Volkswagen (VW) “sempre esteve a exportar os seus veículos, eventualmente com algo atraso, mas presumivelmente não”.

“Houve acumulação de 8.500 veículos na base aérea do Montijo devido ao problema de certificação de motores, por parte da própria VW, não teve nada que ver com greve dos estivadores (…). Não temos dúvidas nenhumas de que aquilo que aconteceu no Porto de Setúbal foi uma encenação e um desviar de atenções do problema nacional”, como as “perseguições devido à opção sindical”, garantiu António Mariano.

Para o dirigente do SEAL, a “questão da Autoeuropa foi um desviar de atenções para Setúbal”, mas que “correu mal, porque os trabalhadores revoltaram-se” e “parou completamente um porto que estava a trabalhar em 50%”, “importando e exportando tudo”.

Mariano estranhou ainda, perante os deputados, a notícia sobre uma eventual requisição civil no âmbito dessa paralisação, porque estavam em causa “trabalhadores sem vínculos laborais e por isso sem direito à greve”. “Depois de pesar o que era mais importante para as vidas humanas”, com o aceitar da integração de precários conforme proposto e o compromisso para outras soluções “em prazo razoável”, o SEAL notou que se tinha “atingido o ponto satisfatório” para um acordo, explicou o sindicalista.

No passado dia 14 foi assinado um acordo entre o SEAL e os operadores portuários, sob mediação do Governo, para o regresso ao trabalho dos estivadores do Porto de Setúbal. Este acordo prevê a passagem imediata a efetivos de 56 trabalhadores precários (mais 10 a 37 numa segunda fase) e o levantamento de todas as formas de luta, incluindo a greve ao trabalho extraordinário.

O acordo pôs fim a um conflito com os estivadores precários de Setúbal que recusavam apresentar-se ao trabalho desde o dia 5 de novembro e garante também a prioridade na atribuição de trabalho aos atuais trabalhadores eventuais que não sejam integrados nos quadros dos operadores portuários, face a outros que ainda não estejam a laborar no Porto de Setúbal.

Nesse dia 14, foi indicado que a Autoeuropa e a empresa Operestiva estavam a preparar um plano para a exportação de 22.000 viaturas acumuladas durante a paralisação dos estivadores do Porto de Setúbal.

O Porto de Setúbal esteve praticamente parado desde o dia 5 de novembro, data em que os estivadores eventuais — que até àquela data representavam cerca de 90% da mão-de-obra disponível naquele porto — decidiram recusar o trabalho como forma de pressão contra a situação de precariedade em que se encontravam e para conseguirem um contrato coletivo de trabalho.

Com o acordo assinado, pelo menos 56 trabalhadores vão ser integrados nos quadros de pessoal da Operestiva e da Setulsete, sendo que os restantes terão preferência na distribuição de trabalho face a outros trabalhadores que ainda não trabalham no Porto de Setúbal.

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