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O Jornal da Uma, na Rádio Observador, tem edição do Miguel Videra. Miguel, a Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública acaba de anunciar uma greve dos trabalhadores do Estado para o próximo dia 20 de novembro. Já vamos perceber as razões invocadas para esta paralisação. Antes, o presidente da República, que não gostou do que viu durante a manifestação do fim de semana em Lisboa pelo direito à habitação.
Ao longo dos últimos dias, foram muitas as vozes a pedir a António José Seguro que quebrasse o silêncio, os partidos à esquerda, a Comissão de Honra da Candidatura Presidencial e até André Ventura. Ora, o presidente veio finalmente a público garantir que não, não tem estado parado e que o que viu no Rossio, Vasco Maldonado Correia, é inaceitável.
Pressionado por todos os lados para tomar posição sobre a atuação da polícia nas manifestações pela habitação, o presidente da República deixa uma nota muito clara.
Não gostei do que vi nas imagens recentes, designadamente em Lisboa, no passado sábado.
E diz mais:
Não são imagens normais para uma democracia consolidada. A violência não faz parte da cultura portuguesa.
Face às críticas, ao silêncio que tem imperado desde Belém, Seguro garante que não é bem assim.
Desde as 7h desse domingo, tenho estado sempre atento, preocupado, a recolher a informação, a exigir as informações de quem devo. Esse é o papel do presidente da República. Ainda ontem reuni com o primeiro-ministro e, naturalmente, este foi um dos temas que foi falado.
E volta a defender-se.
Tenho estado ativo, tenho estado vigilante e continuarei vigilante na garantia do Estado de Direito Democrático no nosso país.
Apesar de se mostrar claramente desagradado, Seguro não aponta já o dedo à polícia.
Quanto à atuação das autoridades, estão a decorrer inquéritos. Os inquéritos têm que vir apurar se houve desvios ao Estado de Direito ou não. O presidente da República deve respeitar esses inquéritos.
E deixa uma exigência.
E eu espero que seja rápido, que não sejam daqueles inquéritos que se eternizam.
Seguro insiste na necessidade de diálogo entre governo e partidos, faz notar que está a ficar impaciente.
Acabem com o passa-culpas. Acabem por dizer de quem é a responsabilidade, se é do outro. Todos têm responsabilidades, mas chegou a altura de encontrarem soluções. Custa alguma coisa sentarem-se e apresentarem as propostas para resolver os problemas do país?
Intervenção assertiva do presidente da República, a escudar-se de quem o acusa de ficar em silêncio, anuncia também que vai receber amanhã, em Belém, especialistas na área da habitação.
Uma iniciativa que se junta a outras duas iniciativas. António José Seguro recebe, depois de amanhã, os partidos com assento parlamentar e na próxima semana reúne o Conselho de Estado para debater a coesão social do país. Escutámos aqui um trabalho do jornalista Vasco Maldonado Correia, que acompanhou esta declaração do presidente da República e já há uma reação. Fabián Figueiredo, deputado único do Bloco de Esquerda, não gostou propriamente do que ouviu.
O senhor presidente da República, quando fala de forma vaga, o que demonstra, infelizmente, é que defende os princípios constitucionais de forma abstrata e vaga. E o que se precisa agora é da firmeza de todas e todos os democratas. E é o que temos ouvido dos democratas de direita e dos democratas de esquerda. António José Seguro diz coisas vagas. Perante a defesa do Estado de Direito Democrático, não se pode ficar em cima do muro.
É pelo menos esse o entendimento de Fabián Figueiredo, deputado único do Bloco de Esquerda.
E o Livre critica o presidente da República por não ter reagido de forma imediata à atuação da polícia durante as manifestações pela habitação deste fim de semana.
Demorou demasiado tempo, sentencia a porta-voz do partido, Isabel Mendes Lopes.
É preciso dar uma palavra ao país de forma imediata quando vemos o nível de violência a que assistimos de sábado para domingo. Estamos a falar de uma violência policial que me parece completamente injustificável e, portanto, todos os responsáveis políticos têm de se posicionar, nomeadamente o presidente da República, e é importante que se posicione logo.
Isabel Mendes Lopes referindo-se à alegada demora, pelo menos o entendimento da porta-voz do Livre, do presidente da República reagir aos incidentes do fim de semana. Um comentário feito sem incidir nestas declarações, que também escutámos de António José Seguro esta manhã. Diz o presidente da República que não gostou do que viu na Praça do Rossio.
E têm a palavra os arguidos. O Ministério Público propôs aos 55 detidos na manifestação pelo direito à habitação há uma semana em Lisboa, a suspensão provisória do processo, mediante, Miguel, o pagamento de €150.
Os arguidos têm agora até o próximo dia 6 de novembro para dizerem se aceitam ou não a proposta do Ministério Público. Disse mesmo, no teu conta, Ricardo Sá Fernandes, advogado de alguns destes arguidos.
Cada um agora toma a sua decisão. O que nós sabemos é que há uns Aceitam e outros não aceitam. Até sexta-feira têm tempo para pensar, até têm tempo de mudar de opinião sobre aquilo que hoje pensam.
À semelhança do que aconteceu com os arguidos que ontem foram ouvidos por um juiz de instrução criminal, tanto em Lisboa como no Porto, também neste caso, alguns dos manifestantes detidos admitem recusar a proposta do Ministério Público e assim submeterem-se a julgamento. É isso que revela outra advogada representante destes arguidos, a advogada Carmo Afonso.
Eu tenho a indicação de que os meus três arguidos vão querer exercer a sua defesa em sede de julgamento, não obstante os riscos que acarreta sempre ir a julgamento. E aqui, na suspensão, é sempre uma coisa circunscrita. Não há risco, é uma decisão. Mas no meu caso, 90% de certeza que vamos para julgamento.
A advogada Carmo Afonso representa três dos arguidos, ainda não tem uma posição definitiva sobre se aceita ou não a proposta do Ministério Público para suspender provisoriamente o processo, mediante o pagamento de €150, sendo que, como aqui ouvimos, os três arguidos estão inclinados a rejeitar a proposta e irem a julgamento.
E Miguel, também da última hora, ficamos a saber que há uma greve da administração pública no horizonte.
Sim, convocada pela Frente Comum para o próximo dia 20 de novembro, uma sexta-feira. É uma decisão saída do plenário de dirigentes, delegados e ativistas sindicais, que decorreu hoje em frente à Assembleia da República. Sebastião Santana, o coordenador desta estrutura sindical, uma das três estruturas sindicais representativas dos trabalhadores do Estado, antes mesmo de anunciar esta decisão, já havia tecido críticas ao governo pela ausência de respostas a algumas das reivindicações das estruturas sindicais.
Nós estamos a viver um momento de negociação geral anual, que é suposto estar terminada antes da votação final do Orçamento de Estado e o governo anda a empurrar com a barriga duas reuniões sem qualquer proposta por parte do governo, uma reunião prevista e ainda não agendada para as vésperas da votação na generalidade do Orçamento, são um sinal claríssimo do desrespeito que este governo tem pelo processo negocial.
Pouco tempo depois, os dirigentes da Frente Comum anunciavam então esta paralisação dos funcionários do Estado, greve da administração pública agendada para o próximo dia 20 de novembro.
E milhões de israelitas estão a ir às urnas, precisamente em Israel. Entre esses milhões, Benjamin Netanyahu já votou.
Sim, o primeiro-ministro israelita e recandidato ao cargo. Há uma forte afluência a este ato eleitoral, o primeiro desde os ataques de 07/10/2023. Isso mesmo está a ser testemunhado pelos enviados especiais do Observador às eleições israelitas. Há uma hora, o fotojornalista do Observador, João Porfírio, dava conta disso mesmo e da forte afluência. É preciso recuar vários anos para encontrar níveis de participação tão elevados.
É preciso recuar muitos anos, até 1977, para vermos uma afluência tão grande como neste ano. As ruas estão cheias. De notar que hoje é feriado aqui em Israel, exatamente porque é dia de eleições. Portanto, todos os dias de eleições aqui em Israel é decretado feriado nacional para que toda a gente consiga e tenha a oportunidade de ir votar. E o que é facto é que as ruas estão cheias, há filas para entrar nas secções de voto aqui em Jerusalém, onde me encontro neste momento. E como dizias há pouco, Benjamin Netanyahu já votou e depois de votar, fez uma declaração em vídeo onde diz que a sua oposição está a tentar roubar-nos a eleição. Portanto, aqui também a dar esta nota de que Benjamin Netanyahu poderá ter informações de algum tipo de alegadas dificuldades em algumas mesas de voto. O que é facto é que o exército e a polícia aqui em Israel está fortemente mobilizada nas ruas. Também Ben-Gvir, o ministro tão controverso de Benjamin Netanyahu, também já votou no colonato onde vive na Cisjordânia. Portanto, grande parte dos candidatos a estas eleições já votaram. E como dizia há pouco, o dispositivo de segurança é bastante elevado porque, obviamente, Israel está sob pressão mediática e eleitoral muito grande e, portanto, para tentar evitar qualquer tipo de problema armado ou mesmo de sabotação de eleições a algumas secções de voto, o que é facto é que há um grande dispositivo militar e policial nas ruas de Jerusalém neste momento.
Isso mesmo testemunha o enviado especial do Observador, João Porfírio, fotojornalista a acompanhar estas importantes eleições em Israel. As sondagens davam um empate técnico entre Benjamin Netanyahu e o candidato da oposição, um antigo general apontado também como possível vencedor destas eleições.
Dez minutos para lá da uma da tarde, Miguel, que outras notícias vão marcando a atualidade?
É uma informação que está a ser veiculada pela imprensa argentina. Flávio Bolsonaro pode já ter saído do Brasil com destino aos Estados Unidos, o filho de Jair Bolsonaro, terá apanhado um voo privado a partir da Argentina às duas da manhã desta terça-feira. O jornal Globo diz que a Polícia Federal está a averiguar a veracidade desta informação junto às autoridades argentinas para confirmar se, de facto, Flávio Bolsonaro, candidato derrotado nas eleições brasileiras deste domingo, saiu o país. A notícia surge depois de a Justiça brasileira ter ordenado que Flávio Bolsonaro entregasse o passaporte no prazo de 24 horas, proibiu também o candidato à presidência do Brasil de se ausentar do país. Imparável o surto do diabolo na República Democrática do Congo, já ultrapassou a fasquia dos 10 mil casos. Morreram quase 5 mil pessoas desde que foi declarada a epidemia a 15 de maio. A taxa de mortalidade ronda os 50%. Dados do Instituto Nacional de Saúde Pública da República Democrática do Congo. Este é o segundo surto mais mortífero e contagioso da história a nível global.