A PLMJ – Sociedade de Advogados foi alvo de um ataque informático e está, neste momento, a avaliar as consequências dessa intrusão e a reforçar o sistema. Para já, sabe-se que um conjunto de emails trocados com os advogados de outras duas sociedades, com quem partilha a defesa da SAD do Benfica no processo e-Toupeira, acabaram por ser, há duas semanas, divulgados num blogue — onde aliás estão a ser publicados todos os documentos que constam no processo sem se perceber como.

Em resposta ao Eco, a PLMJ não revela “por questões de segurança” que informações da sociedade de advogados os piratas conseguiram retirar, mas admite que “na sequência de sucessivas tentativas de intrusão ilícitas, a segurança de rede da PLMJ foi recentemente comprometida”. “A PLMJ está a avaliar o impacto potencial desse acesso ilegítimo a informação, tendo definido de imediato, em conjunto com uma equipa de especialistas, medidas preliminares de proteção e contenção”, disse em resposta aquele jornal digital.

A SAD do Benfica contratou três dos melhores penalistas do País para a representar no processo em que estava acusada de corromper dois oficiais de justiça, em troca de informações judiciais privilegiadas. Os advogados João Medeiros, da PLMJ, Rui Patrício, da Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados, e Paulo Saragoça da Matta, da sociedade SM&SB conseguiram que o Benfica não fosse pronunciado pelos crimes na fase instrutória. São também advogados noutros processos que o Benfica enfrenta. No entanto, alguns dos mails trocados entre estes advogados sobre uma possível resposta a uma entrevista ao ECO e sobre uma alegada estratégia da própria defesa acabaram por ser divulgados no Mercado do Benfica — um blogue suspenso pela WordPress há dois dias, depois de uma queixa do Benfica aos Estados Unidos

O autor do blogue, no entanto, não ficou quieto, e voltou a ativá-lo através de um servidor iraniano. Mal o colocou novamente online, publicou novos documentos de processos judiciais. Desta vez as entradas têm os nomes de “Parvalorem”, “Operação Marquês”, “Henrique Granadeiro”, “Jorge Silva Carvalho” e “EDP (CMEC, Manuel Pinho, etc)”, como constatou o jornal Expresso. Processos estes em que os advogados, nomeadamente João Medeiros da PLMJ, têm participação.

O Observador sabe que nem na Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados, nem na SM&SB, terá havido intrusões. Fonte oficial da Morais Leitão informou que: “em relação à alegada informação ilegalmente tornada pública, não temos qualquer evidência de entrada no sistema da Morais Leitão.”