O ex-ministro da Indústria da Venezuela Alex Saab, acusado pelos EUA de ser um testa-de-ferro do presidente Nicolás Maduro, declarou-se esta terça-feira culpado de conspiração para branqueamento de capitais e transações financeiras ilícitas, noticiou a imprensa venezuelana.
A declaração, segundo o diário El Nacional, teve lugar na sequência de um acordo com o Ministério Público dos EUA, num tribunal federal em Miami, Florida, onde garantiu que não houve ameaças nem qualquer outro tipo de pressão para que aceitasse a sua culpa.
“Culpado, Meritíssima”, afirmou o empresário colombiano em tribunal, perante a juíza Kathleen M. Williams, alterando a declaração de inocente que tinha apresentado a 24 de julho último, por uma de culpabilidade, explica o El Nacional.
Ainda segundo o jornal, não foi revelado o conteúdo do acordo, de 12 páginas, com o Ministério Público, e o ex-ministro poderá enfrentar uma pena máxima de 20 anos de prisão.
À espera da sentença definitiva, que deverá ser conhecida em janeiro de 2027, Alex Saab admitiu ter cometido, com cúmplices cujas identidades não foram reveladas, conspiração para realizar atividades ilícitas, fraude, suborno de funcionários públicos e ocultação da origem dos fundos.
Entretanto, o portal Alberto News avançou que Alex Saab teria ainda chegado a um acordo para entregar cerca de 195 milhões de dólares (aproximadamente 169 milhões de euros), que teriam sido considerados lucros obtidos de forma ilícita através do esquema de corrupção.
Em 17 de maio, o Governo da Venezuela anunciou que tinha deportado o ex-ministro da Indústria para os Estados Unidos por alegados crimes cometidos naquele país.
“A medida de deportação foi adotada tendo em conta que o referido cidadão colombiano está envolvido em diversos crimes nos Estados Unidos da América, como é do conhecimento público e amplamente divulgado”, afirmou o Serviço Administrativo de Identificação, Migração e Estrangeiros (SAIME) venezuelano num comunicado.
No documento, o SAIME indicou ainda que o processo de deportação decorreu a 16 de maio, “em conformidade com as disposições da lei de imigração venezuelana”.
Em março, o jornal New York Times noticiou que a administração norte-americana, liderada por Donald Trump, negociava a extradição de Saab, um aliado importante do antigo presidente venezuelano Nicolás Maduro, capturado pelos EUA no início do ano.
Preso em 2020, em Cabo Verde, Saab foi mais tarde extraditado para os Estados Unidos, mas regressou à Venezuela em 2023, no âmbito de uma troca de prisioneiros durante a anterior administração do democrata Joe Biden.
Procuradores norte-americanos acusaram Saab de corrupção em janeiro, pouco depois de os Estados Unidos terem capturado Maduro e a mulher, Cilia Flores, que foram transferidos para Nova Iorque para responder a acusações de tráfico de droga.
O ex-ministro e os seus colaboradores são acusados de ter criado uma rede de empresas fictícias, falsificado documentos de embarque e desviado dinheiro de contratos governamentais relacionados com a importação de alimentos da Colômbia e do México para a Venezuela.
O caso está relacionado com o programa CLAP, criado durante o governo de Maduro para distribuir alimentos básicos, entre os quais arroz, farinha de milho e óleo, a populações de baixos rendimentos, a preços bonificados, no contexto da grave crise económica venezuelana.
A estrutura de corrupção, segundo o portal Alberto News, terá permitido aceder a milhares de milhões de dólares provenientes das operações petrolíferas da empresa estatal Petróleos da Venezuela (PDVSA).
Segundo o New York Times, o novo Governo venezuelano, liderado pela presidente interina Delcy Rodríguez, deteve Saab no início de fevereiro, a pedido de Washington.
Indultado pelo antigo presidente dos EUA Joe Biden, no âmbito de um acordo que levou à libertação de vários norte-americanos detidos na Venezuela, o empresário colombiano, descrito como diplomata pelo Governo de Maduro em 2020, foi recebido como um herói na Venezuela em dezembro de 2023 e nomeado em janeiro de 2024 presidente do Centro Internacional de Investimentos Produtivos.
Na altura, Maduro afirmou que, com esse cargo, Saab traria investimento para o país rico em petróleo.
Em outubro de 2024, Saab foi nomeado ministro da Indústria e Produção Nacional, cargo do qual foi exonerado por Delcy Rodríguez em janeiro passado, duas semanas depois da operação militar dos Estados Unidos a Caracas que resultou na captura de Nicolás Maduro.
Saab, de 54 anos, amigo pessoal de Maduro, é acusado há anos nos Estados Unidos de enriquecimento ilícito através de contratos governamentais e de servir de testa-de-ferro do líder chavista.
[Outubro de 1965. O diplomata suíço Raymond Quendoz espera pela mulher na pista do aeroporto de Havana, mas a portuguesa Annie Silva Pais simplesmente não aparece. O desaparecimento dela vai dar origem a um mistério de dimensão internacional que vai mobilizar o responsável da CIA em Cuba, o chefe dos serviços de segurança suíços, o mais alto representante de Portugal no país, e até Salazar e Fidel Castro. Porque Annie não é só casada com um diplomata suíço. Também é filha de um dos homens mais importantes do Estado Novo, Fernando Silva Pais, o diretor da PIDE. Já estreou “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Pode ouvir o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]