O primeiro-ministro grego enfrenta uma semana crucial com o pedido de um voto de confiança no parlamento, cujo debate se inicia esta terça-feira, ou a perspetiva de eleições antecipadas, após a rutura da coligação governamental pelos Gregos Independentes (Anel).

O parlamento grego inicia esta terça-feira às 10h00 locais (8h00 em Lisboa) o debate sobre uma moção da confiança apresentada por Aléxis Tsipras, e a votação deverá decorrer na noite de quarta-feira, informou na segunda-feira a conferência de líderes.

O processo vai decidir se Tsipras, líder do partido de esquerda Syriza, mantém a confiança do hemiciclo para terminar o seu mandato, no final do verão, ou se vai ser forçado à convocação de eleições antecipadas após o colapso da coligação, no poder desde 2015.

No domingo, Panos Kammenos, líder do Anel (direita soberanista), abandonou o cargo de ministro da Defesa e rompeu com a coligação, devido à entrada no parlamento helénico do acordo com a vizinha Macedónia sobre o novo nome do país balcânico.

Na sexta-feira, os deputados macedónios aceitaram designar o seu país “República da Macedónia do Norte” e deverá ser agora o parlamento grego a pronunciar-se sobre o novo nome, na sequência do acordo de Prespa concluído entre a Grécia e a Macedónia em 17 de junho, que pretende terminar com um diferendo que se prolonga há 28 anos.

Nos termos deste acordo, a Grécia compromete-se a retirar o seu veto à entrada da Macedónia na NATO e ainda às negociações de adesão à União Europeia (UE) do pequeno país balcânico e ex-república jugoslava.

Tsipras considera possível garantir os votos dos 145 deputados eleitos pelo seu partido e ainda os votos dos deputados do Potami, um partido pró-europeu da oposição, que possui sete dos 300 lugares no parlamento.

Na Grécia, um voto de confiança poderá ser aprovado com metade dos votos a favor dos deputados presentes (um mínimo de 120), mas Tsipras já referiu que vai pedir o apoio de 151 deputados, e que convocará eleições antecipadas caso não alcance este objetivo.

Tsipras já referiu estar preparado para governar em minoria para completar o processo de ratificação do acordo que deverá encerrar o contencioso entre a Grécia e a Antiga República Jugoslava da Macedónia (Fyrom) antes da convocação das eleições legislativas.