Eclipse

Meteorito caiu na Lua durante o eclipse. É a primeira vez que um impacto destes é filmado

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A Super Lua Vermelha de Lobo de segunda-feira permitiu filmar, pela primeira vez, um impacto lunar durante um eclipse. Há 22 anos que os cientistas tentavam fazê-lo. A descoberta foi feita em Espanha.

Um corpo com entre 2 e 10 kg colidiu com a Lua durante a totalidade do eclipse de segunda-feira.

AFP/Getty Images

Um meteorito caiu na Lua durante o eclipse de domingo para segunda-feira, quando o astro já estava vermelho, confirmou o astrónomo espanhol Jose M. Madiedo, da Universidade de Huelva, no Twitter. É a primeira vez que se filma o impacto de um meteorito na Lua durante um eclipse. O momento pode ser visto em vídeos que mostram um ponto luminoso na superfície lunar. Esse ponto é o impacto de uma Geminida, um meteoroide que resulta da passagem do asteroide 3200 Faetonte perto da Terra.

De acordo com as explicações de Jose M. Madiedo, o corpo celeste colidiu com a superfície da Lua às quatro horas, 41 minutos e 38 segundos de segunda-feira, quando o nosso satélite natural já estava dentro da zona mais escura da sombra da Terra (a umbra) e tinha assumido a cor vermelha que batiza o fenómeno astronómico. Apontados à Lua estavam oito telescópios do projeto MIDAS, acrónimo para Moon Impacts Detection and Analysis System, que tem como objetivo estudar os impactos na superfície lunar.

Desde 1997 que os cientistas monitorizam as luzes que resultam do impacto de corpos celestes com a superfície lunar. Há muitos vídeos e fotografias de colisões como essas, mas este vídeo é especial: nunca antes um impacto tinha sido filmado durante um eclipse lunar. E há muito tempo que o tentam fazer: normalmente, os astrónomos fazem observações cinco dias antes e cinco dias depois da Lua Nova; e durante os eclipses porque essas são as altura em que a superfície está escura. No entanto, foi preciso esperar 22 anos para que a colisão fosse filmada durante uma Lua Vermelha.

A descoberta foi feita graças às câmaras de vídeo de alta sensibilidade que filmam as imagens captadas pelos telescópios — cujo número foi duplicado na noite do eclipse. Essas câmaras filmam o fenómeno do primeiro minuto até ao último. Depois, as imagens são exportadas para um programa de computador que identifica e analisa os flashes detetados ao longo da noite. Se esses flashes coincidirem com os produzidos pela queda de um meteorito, o software determina o local exato onde o impacto aconteceu.

O próximo passo, explica Jose M. Madiedo, é tentar determinar a origem e as características do meteoroide que atingiu a Lua no dia do eclipse. Sabe-se que é o resultado de uma chuva de estrelas chamada Geminidas e que faz parte do rasto deixado pela órbita do asteroide 3200 Faetonte. Esse asteroide tem uma órbita semelhante ao de um cometa e cruza as trajetórias de Mercúro, Vénus, Terra e Marte. As Geminidas são uma das principais chuvas de estrelas causadas por um corpo celeste que não um cometa. E o corpo que caiu na Lua deve ter entre dois e 10 quilogramas de massa.

Isto é importante porque os cientistas esperam que os dados do projeto MIDAS possam revelar a frequência com que os impactos lunares acontecem. Conhecer essa realidade lunar vai ajudar a perceber com que frequência é que a Terra é atingida por corpos celestes vindos do espaço: como a atmosfera costuma destruir esses astros antes de chegarem à superfície terrestre, esse número é desconhecido dos cientistas. Mas deve ser semelhante ao da Lua, desconfiam eles.

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