O Conselho de Administração do Grupo Lusíadas Saúde disse esta quarta-feira em comunicado que “está a analisar opções para a cessação das atuais convenções existentes com a ADSE“, juntando-se, assim, ao Grupo José de Mello Saúde, responsável pelos hospitais CUF, e ao Grupo Luz Saúde, que esta semana também anunciaram que iriam deixar de prestar serviços ao abrigo das convenções celebradas com a ADSE.

Contactada pelo Observador, fonte da comunicação do Grupo Lusíadas escusou-se a adiantar quais as opções em cima da mesa, sendo certo que todas estão enquadradas na cessação das atuais convenções anunciada esta quarta-feira pelo grupo.

À semelhança dos dois grupos que também suspenderam este acordo, a administração do Grupo Lusíadas invoca dois principais motivos para a suspensão: as “regularizações a posteriori” e a “definição da tabela de preços”. 

No primeiro motivo, o grupo privado de saúde fala na “regulação dos preços dos atos médicos a posteriori (mais de dois anos depois nos casos atuais em discussão) por parte da ADSE, sem ter em linha de conta o tratamento e atos prestados a cada cliente, de acordo com as suas necessidades específicas, e sem que o Grupo Lusíadas possa ter conhecimento dos elementos comparadores que pudessem justificar tal redução”.

Já no segundo motivo, referente á tabela de preços, a administração argumenta que esta tabela é “desajustada da realidade atual” e tem “valores incompatíveis com os padrões de segurança e qualidade” do grupo privado de saúde.

Neste contexto de cessação das atuais convenções, e depois de diversas reuniões internas com as suas Unidades operacionais e respetivas Direções Clínicas, o Grupo Lusíadas Saúde assegurará, contudo, o adequado acompanhamento e tratamento aos Clientes da ADSE que se encontrem a ser assistidos nas Unidades do Grupo, assim como criará uma tabela própria para que os mesmos beneficiários possam aceder às nossas Unidades, podendo posteriormente pedir o reembolso à ADSE em regime livre”, diz ainda o comunicado.

A nota intitulada de “Cessação do acordo com a ADSE” diz ainda que “oportunamente, e após a necessária análise do conteúdo contratual das convenções em vigor” irá comunicar “os procedimentos operacionais relevantes, em especial quanto aos prazos da cessação das convenções e consequente cessação da marcação de atos em regime convencionado”. Acrescenta ainda que “o Grupo Lusíadas Saúde continua a manter-se, no entanto, totalmente disponível para a construção de soluções de parceria que garantam um compromisso justo, equilibrado, seguro, previsível e sustentável para todos os intervenientes”.

Esta segunda-feira, o Grupo José de Mello Saúde avançou para a suspensão do acordo de convenção com a ADSE, pelo que os beneficiários vão, a partir de 12 de abril, deixar de contar com o acordo de convenção se se dirigirem aos hospitais da rede CUF.

Um dia depois, esta terça-feira, foi a vez do Grupo Luz Saúde anunciar a suspensão do acordo. No caso dos beneficiários que se dirigem aos Hospitais e Clínicas da Rede Hospital da Luz, o prazo apontado foi o de 15 de abril.

Na noite de quarta-feira, em declarações à SIC Notícias, a presidente da ADSE, Sofia Portela, deu conta que ainda não recebeu qualquer denúncia de cessação dos convénios, apenas “ameaças”.

“Na realidade, a ADSE não recebeu até ao dia de hoje nenhuma denúncia de convenção de nenhum grupo. A ADSE recebeu ameaças destes grupos de vir a fazê-lo”, salientou Sofia Portela.

“Temos dois grupos — José de Mello Saúde e Luz Saúde — que comunicaram à ADSE uma suspensão não da prestação de cuidados de saúde, mas no agendamento de actos [médicos] para datas posteriores a meados de abril”, especificou a responsável. Também confirmou que o Grupo Lusíadas se juntou ao protesto dos outros dois.