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Depois de um Campeonato do Mundo onde marcou por duas vezes, ajudou a um histórico triunfo frente à Alemanha (2-0) mas não conseguiu evitar a eliminação da Coreia do Sul na fase de grupos com Suécia e México, Son Heung-min tinha nos Jogos Asiáticos uma última oportunidade de “fugir” à obrigatoriedade de cumprir serviço militar. Era ali, tinha de ser ali.

Rebobinemos o filme com o devido contexto: de acordo com as leis do país, todos os homens têm de prestar esse serviço de forma obrigatória antes de atingirem os 28 anos, num período mínimo de 21 meses; no entanto, há exceções como os desportistas, caso vençam alguma competição pela Coreia do Sul ou atinjam outros lugares de prestígio como um pódio em Mundiais ou em Jogos Olímpicos. Por isso, naquela final, Son jogava o futuro da sua carreira. E agarrou-se com unhas e dentes a essa possibilidade na final frente ao Japão no início de setembro, que terminou com um triunfo dos sul-coreanos por 2-1 no prolongamento com golos de Lee Seungwoo e Hwang Hee-Chan após assistências do avançado do Tottenham.

O asiático fugiu no início da temporada à tropa e comanda hoje um exército chamado Tottenham, que perdeu o seu general Harry Kane por lesão mas ganhou em Son um substituto à altura, como comprovam os 11 golos e cinco assistências nos últimos 12 jogos pelo conjunto de Mauricio Pocchetino. É claro que Eriksen continua a ser o sargento que todos “namoram” por ser capaz de tomar conta de olhos fechados de qualquer manobra ou movimento que a equipa faça em termos ofensivos (e a sua permanência a breve prazo em Londres parece cada vez mais complicada, face ao interesse que desperta) mas o sul-coreano tem assumido as despesas de desbloquear os encontros que mantêm a equipa na luta pela Premier League – estão a cinco pontos dos líderes Liverpool e Manchester City – e com passaporte praticamente confirmado para os quartos da Champions.

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Depois de uma primeira parte sem golos e onde foi uma defesa monstruosa de Lloris a ficar como grande destaque dos 45 minutos iniciais, Son inaugurou o marcador logo no arranque do segundo tempo com um remate de primeira na área do B. Dortmund após cruzamento da esquerda de Vertonghen. Os alemães, atuais líderes da Bundesliga, reagiram ao golo sofrido mas acabaram por querer em demasia ir atrás de um resultado que dentro do contexto podia ser interessante e o Tottenham aproveitou para chegar ao 3-0, com golos do defesa belga (83′) e do avançado Llorente (86′). E Vertonghen, hoje a fazer todo o corredor num sistema com três defesa, acabou mesmo por ser considerado o melhor em campo.

Com este resultado, o Tottenham conseguiu também quebrar um longo jejum de triunfos das equipas inglesas em jogos de eliminatórias da Champions frente a conjuntos alemães, tornando-se o primeiro a ganhar em casa desde que o Manchester United afastou o Schlalke 04 nas meias-finais de 2010/11.