Rádio Observador

CDS-PP

CDS não quer esperar até setembro para derrubar Costa: “Governo está esgotado”

1.340

Centristas denunciam serviços públicos "depauperados", o "primeiro-ministro está perdido" e a paz social "minada", como comprovam as greves. CDS fala em "governo impotente" na moção de censura

Cristas diz que "há boas razões para dar a palavra aos portugueses"

MÁRIO CRUZ/LUSA

Não dá para esperar por setembro: para o CDS, o governo tem de cair já.  A primeira frase do texto de moção de censura do CDS resume os motivos que levaram o partido a apresentar uma moção de censura ao executivo de António Costa: “O Governo está esgotado“. Segundo os centristas, de acordo com o texto da moção ao qual o Observador teve acesso, o “governo já não governa”, há um “primeiro-ministro perdido” e que — por todos os problemas que existem na saúde, na economia e no setor social — “não é possível deixar os portugueses à espera”.

É pouco provável que os parceiros de esquerda do PS viabilizem esta moção de censura, mas caso o fizessem, teriam de existir eleições antecipadas ou o governo ficar em gestão até 22 de setembro. Nas várias acusações que faz ao Governo, o CDS diz que o Governo de Costa “cria problemas e é incapaz de encontrar soluções”. Os centristas denunciam que “a paz social está em rutura” e que vários setores exasperam “com a arrogância e a falta de diálogo do executivo”. Em conferência de imprensa, Assunção Cristas falou em “ilusionismo socialista”.

Para o CDS mesmo o que corre bem no país é “apesar do Governo e não graças ao Governo”. Os centristas dizem assim estar perante um “primeiro-ministro incapaz, um Governo impotente, uma base de apoio parlamentar incapaz de ter coesão e que se limita a gerir o ciclo eleitoral” existem “boas razões para dar a palavra aos portugueses“.

O CDS acusa as “esquerdas unidas” de privilegiarem uma “agenda eleitoral” em detrimento de cumprirem “responsabilidades governativas”. Para os centristas a “preocupação central” do PS é a “propaganda eleitoral, prometendo agora tudo o que não fez ao longo de três anos e meio”. Por outro lado, acusa o texto da moção, os partidos à esquerda do PS preconizam um “radicalismo ideológico.”

Para comprovar que o governo “minou” a paz social, o CDS lembra que “em 2018, no setor público, foram entregues 260 pré-avisos de greve, o número mais elevado desta década” e que só no “primeiro mês e meio do ano, já foram entregues
112 pré-avisos de greve”. O CDS lembra que quando a direita saiu do poder a “economia do País” estava “a crescer, o desemprego em queda e com o ambiente internacional favorável”. Porém, em vez de aproveitar uma “oportunidade única para reformar, o Governo fez escolhas setoriais em vez de investir no interesse nacional”.

Costa não só não virou a “página da austeridade”, como, no entender do CDS, “cresceram os impostos indiretos e as cativações”. As cativações, dizem os centristas, foram “transformadas em cortes definitivos, atingiram o máximo e Portugal ficou com o investimento público em mínimos históricos e com a carga fiscal em níveis máximos”.

A narrativa do fim da austeridade, diz o CDS, “chegou ao fim”. Isto porque “Os serviços públicos estão depauperados, desmotivados e em emergência constante”. Além disso, “os portugueses,  sofrem a maior carga fiscal de sempre.”

Para o CDS o governo está “limitado pelas amarras que a sua criação determinou, sendo por isso um executivo “desorientado, desconcertado, sem ambição e sem programa”.

“Caso mais gritante é na Saúde”

Assunção Cristas diz que — na análise ao país que motivou a moção de censura — o caso mais “gritante” é o da saúde e cita o bastonário da Ordem dos Médicos para dizer que “provavelmente o Serviço Nacional de Saúde está pior do que há 20 anos” e que “SNS está mais ou menos paralisado”. O CDS deu exemplos da falta de resposta do SNS, lembrando casos em que os doentes de várias especialidades chegam a esperar vários anos por uma consulta e também casos de oncologia, lembrando que é este governo que permite que “no IPO de Coimbra se espere 258 dias por uma cirurgia geral.”

A par disto, as dívidas do SNS a fornecedores e credores “disparou quase mil milhões de euros em 3 anos e totalizou 2,9 mil milhões de euros em 2017, números do Relatório de auditoria do Tribunal de Contas, o que representa um agravamento de 51,6% face a 2014”.

O CDS destaca que, no meio de tudo isto, “quem perde é o doente”. Sobre a o sistema de saúde da função pública, o CDS diz que “por puro preconceito ideológico, a esquerda deixa a ADSE chegar a um estado de rutura, e relega os interesses dos beneficiários – que são os financiadores do serviço –  para segundo plano”. Os centristas acusam o governo de querer “acabar com a ADSE” por “puro fanatismo ideológico o Governo quer acabar com a ADSE”. Uma decisão, alerta o CDS, que vai afetar “dez milhões de portugueses que vão ter de recorrer a um SNS ainda mais exaurido”.

Quanto à economia, o CDS denuncia ainda um “investimento público está em mínimos históricos, mesmo abaixo dos valores do período de assistência financeira”. A aplicação de fundos europeus também não convence o CDS, que denuncia um “Ensino não Superior com uma execução de apenas 32%” e “verbas do Fundo Social Europeu para as ações de Formação Profissional cuja execução dos últimos 3 anos ficou muito aquém do orçamentado.”

“A maior carga fiscal de sempre”

A par de todos estes problemas, garante o CDS, o Governo expôs o país à “maior carga fiscal de sempre”, com um Governo que “insiste em penalizar as pessoas e as empresas recorrendo ao aumento dos impostos indiretos”, como é o caso do ISP (Imposto Sobre os Produtos Petrolíferos). Os centristas dizem ainda que hoje existe uma “economia a abrandar, com as exportações a desacelerar” e recorda que no terceiro trimestre de 2018 houve “14 países da zona Euro que cresceram mais do que Portugal”.

Ao mesmo tempo, “Portugal continuou a endividar-se, o que significa que a dívida pública nominal não parou de crescer”. Para o CDS, Portugal não está devidamente preparado “para a enfrentar uma nova crise económica, sem uma derrapagem das contas públicas e sem o risco de perder o financiamento externo”.

O CDS lamenta ainda que o governo não tenha garantido a continuidade da necessidade da unanimidade em matéria fiscal e denuncia que “têm sido muitas e variadas as tentativas políticas do Governo para se arvorar em vanguarda de um europeísmo federal favorável à criação de uma máquina tributária europeia”.

Sem esquecer o que se passou em Tancos, o texto da moção do CDS diz que ​”a erosão da confiança e autoridade das Forças Armadas e das forças e serviços de segurança tem demonstrado ser uma constante da governação socialista”.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: rpantunes@observador.pt
PSD/CDS

A beira do precipício

José Ribeiro e Castro
602

A visão da beira do precipício serve para despertar. Se não querem deixar Portugal totalmente submetido à esquerda, PSD e CDS têm de fazer mais no tempo que falta. Sobretudo fazer melhor. E desde já.

Política

Bem-vindo Donald Trump, António Costa merece!

Gabriel Mithá Ribeiro
212

A direita em Portugal, e o PSD muito em particular, nunca foram capazes de afirmar um discurso sociológico autónomo. CDS-PP e PSD insistem em nem sequer o tentar, mesmo quando se aproximam eleições.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)