Transtejo

Lançado concurso de 90 milhões de euros para aquisição e manutenção de navios da Transtejo

O concurso resulta num investimento de 89,9 milhões de euros do Governo português. António Costa afirma que só este investimento supera todos os do governo de Passos Coelho nos transportes públicos.

O plano de renovação da frota da Transtejo foi aprovado em 10 de janeiro em Conselho de Ministros e ficou definido que o primeiro catamarã deve entrar em circulação a partir do final de 2020

TIAGO PETINGA/LUSA

O concurso para aquisição e manutenção de dez novos navios para a Transtejo, num contrato de 16 anos e de cerca de 90 milhões de euros, foi esta sexta-feira publicado em Diário da República.

Segundo a portaria, em causa está um investimento de 89,9 milhões de euros, sendo cerca de 57 milhões de euros disponibilizados para a aquisição dos barcos e os restantes 33 milhões para a manutenção.

O plano de renovação da frota da Transtejo, que inclui a compra de dez novos barcos, foi aprovado em 10 de janeiro em Conselho de Ministros, onde ficou definido que o primeiro catamarã deve entrar em circulação a partir do final do próximo ano.

Na altura, o secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade, José Mendes, disse à agência Lusa que “há um apoio do Programa Operacional de Sustentabilidade no Uso de Recursos (POSEUR), de 15 milhões de euros, e um financiamento do Fundo Ambiental na ordem dos 40 milhões de euros, sendo o restante através do orçamento da Transtejo” para a aquisição de novos meios.

José Mendes ainda adiantou que se prevê a entrega de três navios em 2021 e seis “ao ritmo de dois a cada ano”, contando que em 2024 serão entregues dez navios.

Em janeiro, o presidente da Associação de Municípios de Setúbal, Rui Garcia, saudou a aprovação do plano de renovação da frota da Transtejo anunciado pelo Governo.

A Transtejo é a empresa responsável pelas ligações fluviais entre o Seixal, Montijo, Cacilhas e Trafaria/Porto Brandão e Lisboa.

Costa afirma que só este investimento supera todos os de Passos nos transportes públicos

O primeiro-ministro afirmou esta sexta-feira que só o investimento agora realizado pelo seu Governo na Transtejo, na ordem dos 89 milhões de euros, supera em valor todos os que foram feitos pelo anterior executivo PSD/CDS-PP nos transportes públicos.

António Costa falava no Cais do Sodré, no final da cerimónia de lançamento do concurso internacional para a aquisição, até 2024, de dez novos navios da Transtejo e Soflusa – embarcações que vão reforçar as ligações fluviais entre Lisboa, Cacilhas, Seixal e Montijo.

Só neste concurso está previsto um investimento superior a todo o investimento que foi feito na legislatura anterior em todos os sistemas de transportes públicos. Não é só na Soflusa e na Transtejo, mas na Carris, no metro, na Carris, nos STCP e na Refer”, declarou o líder do executivo.

Numa nova alusão ao período de assistência financeira de Portugal, entre 2011 e 2014, António Costa considerou que o investimento nos transportes urbanos demonstra que o país “está a recuperar das feridas que foram abertas pela crise”. “Até hoje, o esforço de investimento já representou 260 milhões de euros. Cada euro que gastamos tem de possuir duas finalidades: Recuperar das feridas da crise e preparação para o futuro”, advogou.

Após intervenções do ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, dos presidentes das câmaras de Lisboa e de Almada, respetivamente Fernando Medina e Inês de Medeiros, e da presidente da Transtejo e Soflusa, Marina Ferreira, António Costa defendeu que o seu Governo apostou “num sistema em que cronicamente não se investia”.

Além da questão da mobilidade das populações das áreas metropolitanas e suas consequências económicas e sociais, o primeiro-ministro referiu-se também ao desafio da “mitigação das alterações climáticas”.

“Se queremos vencer os desafios das alterações climáticas, temos de investir na descarbonização da sociedade. Alterar o paradigma da mobilidade não é só mudar do diesel para o elétrico, mas também do transporte individual para o coletivo. O transporte coletivo não pode ser a fatalidade de quem não tem recursos”, sustentou o primeiro-ministro.

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