Foi descoberta uma nova lua a orbitar Neptuno, está a avançar a revista científica Nature. Chama-se “Hipocampo”, tal como uma criatura marinha da mitologia grega, tem 34 quilómetros de diâmetro e orbita o gigante gasoso junto a Proteus — a maior das luas interiores de Neptuno. Este novo satélite natural é o corpo celeste mais recente a ser encontrado nas imediações de um planeta do Sistema Solar. E escapou ao olhar da Voyager 2 em 1989.

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Uma lua interna é um satélite natural que tem um movimento prógrado (no mesmo sentido da rotação do planeta que orbita) e que fica entre o planeta principal e as suas maiores luas.

A observação de Hipocampo foi feita através do Telescópio Espacial Hubble e dá sustentação à teoria de que as luas interiores e mais pequenas de Neptuno devem ter nascido na sequência de impactos com cometas. Essa hipótese surgiu depois das observações feitas pela Voyager 2, uma sonda da NASA que se aproximou dos gigantes gasosos do Sistema Solar para os estudar melhor e que encontrou seis pequenas luas interiores. Hipocampo é o sétimo desses satélites naturais internos e adensa a lista de luas de Neptuno para as 14.

De acordo com Anne J. Verbiscer, investigadora na área da ciência planetária na Universidade de Virginia, a teoria dos autores é que Hipocampo surgiu do mesmo impacto que criou a grande cratera de Pharos na lua Proteus. É uma cratera tão grande que leva os cientistas a crer que Proteus escapou por pouco a ser completamente destruída. No momento em que esta lua foi atingida, um monte de detritos foi lançado para o espaço, mas alguns deles devem ter-se juntado e dado origem a Hipocampo.

A teoria faz sentido: Hipocampo é, neste momento, a lua interna mais pequena de Neptuno e orbita o planeta a apenas 12 mil quilómetros de Proteus. No entanto, há um pormenor que abre pontos de interrogação nessa hipótese: o volume da nova lua é de apenas 2% do que falta na cratera de Pharos. Por isso é que Anne J. Verbiscer estranha que os autores do estudo não tenham colocado a hipótese de alguns desses detritos permaneçam nas imediações de Neptuno na forma de um anel, tal como acontece em Júpiter e em Saturno.

Hipocampo foi descoberto graças a umas modificações feitas no Telescópio Espacial Hubble. Os cientistas implementaram uma técnica de processamento de imagens especializada que aumenta a sensibilidade das câmaras. Graças a esses ajustes, Hipocampo já foi visto três vezes: a primeira vez em 2004, a segunda em 2009 e a terceira em 2016. Além disso, também foi possível olhar para outra lua, Naiad, que foi vista pela última vez em 1989.