“Monrovia, Indiana”

Frederick Wiseman deixou as grandes cidades e as suas instituições, e foi instalar-se com câmara e bagagens, durante dois meses, em Monrovia, no Indiana, uma comunidade rural de 1400 almas. E mostra-nos o dia-a-dia, os rituais, os valores e os hábitos dos habitantes, indo dos campos ao ginásio da escola, das reuniões da loja maçónica aos funerais, festas e feiras. É a América profunda, alheia às metrópoles cosmopolitas, às suas modas, à massificação e aos estilos de vida “alternativos”, uma América que trabalha, reza, convive e quase certamente vota Republicano e Trump. Mas Wiseman, como sempre, não está ali para troçar, julgar ou fazer comício, mas sim para observar, mostrar e fazer-nos compreender estas pessoas, que quase só aparecem nas televisões e são notícia quando há uma catástrofe ou eleições. “Monrovia”, Indiana, é mais uma maravilha de revelação da vida e do funcionamento de um pequeno mundo pelo quase nonagenário e magistral documentarista.

“Se Esta Rua Falasse”

A segunda longa-metragem de Barry Jenkins, oscarizado por “Moonlight” em 2017, adapta um livro de James Baldwin dos anos 70, passa-se no Harlem e é uma história de amor entre dois jovens, Tish e Fonny, bruscamente interrompida quando o rapaz é preso e acusado de ter violado uma mulher, ao mesmo tempo que a namorada revela que está grávida.  Esta combinação de melodrama urbano e de denúncia do preconceito e da injustiça racial revela-se muito menos interessante, eficaz e consequente, do ponto de vista cinematográfico ao dramático, do que “Moonlight”, do qual parece uma reiteração menor, e Jenkins perde-se em rodriguinhos melosos, que confunde com lirismo, sempre que Tish e Fonny estão em cena, alienando-nos da história e das personagens. Regina King, no entanto, é estupenda no papel da sofredora mas tenaz mãe de Fonnie (está candidata ao Óscar de Melhor Atriz), corporizando tudo aquilo que o “Se Esta Rua Falasse” poderia ter sido.

“Os Irmãos Sisters”

O novo filme do francês Jacques Audiard é um “western” tirado do livro de um canadiano, rodado em Espanha e na Roménia e interpretado na maioria por atores americanos. John C. Reilly e Joaquin Phoenix interpretam Eli e Charlie Sisters, dois irmãos que ganham a vida como pistoleiros. Os Sisters  são contratados por um potentado local, o Comodoro (Rutger Hauer), para encontrarem Herman Kermit (Riz Ahmed), um químico que inventou um processo fácil e prático de localizar e extrair ouro dos rios. Herman é um homem de princípios e não quer trabalhar para um criminoso como o Comodoro, e fugiu. Este mandou à frente  John Morris (Jake Gyllenhaal), para localizar Herman, ganhar a sua confiança, capturá-lo e depois entregá-lo aos Sisters, que tratarão de lhe extrair o método de exploração de ouro e o encherão de chumbo a seguir. “Os Irmãos Sisters” foi escolhido pelo Observador como filme da semana, e pode ler a crítica aqui.