Manuel Pizarro mostrou-se disponível para integrar a lista do PS às europeias de maio desde cedo. Esperou pelo convite que chegou com uma proposta inesperada: o nono lugar. À partida, os oito primeiros candidatos são considerados elegíveis. A partir daí, tudo – ou nada – pode acontecer. Hesitou por acreditar que a Federação do Porto, que lidera, merecia ter uma maior representação. Depois dos últimos ajustes, aceitou o convite de António Costa. “Estou muito convencido de que o nono lugar é elegível“, disse o autarca portuense esta noite, à saída da reunião da Comissão Política do PS que aprovou os 21 nomes que o partido apresenta para a corrida europeia.

O facto de o oitavo lugar ser ocupado por Isabel Santos, precisamente do Porto, não foi uma afronta para Manuel Pizarro. “Ao contrário, estou muito satisfeito porque nesta lista há uma grande representação do Porto“, esclareceu. “O secretário-geral do PS teve o engenho de arranjar uma solução para um problema difícil, que era o de garantir uma adequada representação das várias regiões do país. Isto é uma boa notícia e esta é uma boa lista”, acrescentou.

A gestão da composição da lista socialista não foi fácil para o primeiro-ministro, mas nos últimos dias conseguiu convencer o líder do PS-Porto a aceitar a sua proposta. O facto de Pedro Marques poder vir a ser comissário europeu é um fator que pode ter pesado nesta negociação, já que se o cabeça-de-lista não ficar no Parlamento Europeu Manuel Pizarro fica com mais possibilidade de ficar em Bruxelas nos próximos cinco anos.

Para a candidata número oito da lista, a portuense Isabel Santos, a solução encontrada foi satisfatória. “É uma lista muito forte”, disse aos jornalistas. À semelhança de Pizarro, nega que tenha havido controvérsia e assegura que o facto de estar à frente do líder da Federação do Porto não é um problema. “Não me sinto nada desconfortável. No Porto fazemos política com muita paixão e temos de interpretar as reações dos últimos dias como algo natural. Não houve atritos, houve formas diferentes de as pessoas se expressarem”, adiantou, tentando desvalorizar as tensões dos últimos dias no seio dos socialistas do Porto.

O cabeça-de-lista recusou comentar as polémicas relacionadas com o lugar dos candidatos e preferiu destacar o facto de o partido ter apresentado “uma lista completamente paritária, jovem e forte”. Questionado sobre se o afastamento da eurodeputada Maria João Rodrigues está relacionado com a investigação do Parlamento Europeu sobre as acusações de assédio laboral de que é alvo, Pedro Marques foi evasivo. Explicou que a lista aposta na “renovação geracional” e sublinhou que há apenas dois eurodeputados – Pedro Silva Pereira e Carlos Zorrinho – que integram a candidatura.

O rol dos 21 candidatos foi aprovado com 68 votos a favor, nove contra e três abstenções. A fação do socialista Daniel Adrião manifestou-se negativamente por não ter havido eleições primárias para definir a sua composição. “Algo que está previsto nos estatutos”, lembrou. Apesar de ter conseguido que a minoria que lidera votasse negativamente, a taxa de aprovação foi elevada – 85% dos votos foram favoráveis. Apesar de ter havido alguns votos contra, Pedro Marques acredita que os órgãos do PS estão do seu lado. “A lista foi aprovada por larga maioria“, recordou.

António Costa aproveitou o momento em que o cabeça-de-lista do PS às europeias falava aos jornalistas para sair da sede, evitando responder às questões da comunicação social sobre os critérios que levaram a escolher esta composição, nomeadamente o facto de Maria João Rodrigues não integrar a lista.