Aos 24 anos, o Falcão conseguiu voar até onde mais queria e vai agora começar a aprender a abrir asas entre os melhores. Falcão Miguel, Miguel Falcão Oliveira, uma figura que tem ganho cada vez maior notoriedade no desporto nacional e que vai este fim de semana realizar o sonho de estrear-se em corridas do Moto GP, o principal escalão da modalidade, depois de um segundo lugar no Moto 3 em 2015, de um terceiro posto no Moto 2 em 2017 e de uma segunda posição no Moto 2 no ano passado, onde esteve até bem perto do final do Campeonato a discutir o título com Pecco Bagnaia, que perderia por nove pontos.

Ao comando de uma KTM RC16 da Tech3, o português já se encontra nos testes livres no Qatar, onde marcará presença, domingo (17h), na corrida inicial da temporada. Um marco que, apesar de toda a expetativa que está a conseguir promover nas últimas semanas, não traz a obrigatoriedade de qualquer resultado em particular. “Acho que a abordagem para a primeira corrida da temporada é sempre bastante simples: fazer o meu melhor na corrida e tentar fazer o meu trabalho como sempre, de forma a deixar feliz a equipa com o meu desempenho. Sinto que é importante para mim terminar a corrida, ganhar experiência e saber onde melhorar a minha pilotagem”, comentou o único piloto dos três escalões que não sofreu quedas em provas em 2018.

Não penso em nenhum resultado em específico. É claro que isso é sempre importante, mas como é a primeira corrida para mim, não me concentro em nada definido. O meu objetivo é fazer um bom trabalho, dar o máximo e deixar Losail com um sorriso”, acrescentou na antecâmara do GP do Qatar, depois da habitual fotografia que juntou todos os pilotos neste arranque de temporada.

Esta semana, em entrevista à MotoSport, Miguel Oliveira já tinha abordado também os objetivos para esta primeira época, aproveitando também para falar sobre o seu curso de dentista que vai ter de esperar ainda mais alguns anos.

“Não gosto de estabelecer limites. Vou sempre fazer o melhor que conseguir mas a prioridade para mim é poder acabar as corridas porque quero perceber como é que a corrida se desenvolve, quero perceber como é que a minha atitude corporal tem de mudar ao longo da prova, como tenho de me preparar fisicamente, que mapas de eletrónica usar, ver como é que a moto se altera ao longo das voltas, isso eu ainda não tenho. Se me encontrar numa situação em que estiver nos pontos ou a lutar pelo top 10, é fantástico, mas o resultado agora não é o foco”, destacou o piloto da Tech3.

“De certa forma demonstrei que o meu nível face a novembro está muito melhor e isso deixa-me contente. Ficar a três décimos do piloto mais rápido da KTM é bom. Não é neste momento ao nível da minha ambição, mas sei o projeto onde estou, sei qual é o objetivo a longo prazo e portanto não estou focado muito no resultado de agora. Nos testes de Sepang testámos muita coisa, temos opinião e também peso de decisão em muitas coisas, e isso é algo que me deixa feliz. O positivo é que a moto está-se a revelar muito mais competitiva a nível de ritmo de corrida daquilo que era o ano passado”, acrescentou.

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“Curso de dentista em standby? Não gosto de dizer em standby porque estou inscrito e por vezes vou lá e faço uma cadeira ou outra, mas já vi que dentista, se continuar como o Rossi, só lá mesmo para os 40 ou 50 anos…”, concluiu.

“O desenvolvimento da moto está a ser feito na direção certa. Todos me perguntam como é a KTM, pois sei que é a melhor moto que alguma vez pilotei e não tenho termo de comparação, por isso para mim está tudo bem! Ainda não consigo acompanhar alguns pilotos mas sei onde perco mais terreno. Sabemos em que áreas temos de melhorar, que são aquelas onde garantimos um bom tempo por volta”, começou por referir Miguel Oliveira no Qatar, ao site oficial do Moto GP. “Temos de preparar a moto muito bem para a saída da curva e para ter um bom ritmo e estabilidade à saída, mas ao mesmo tempo é preciso ter uma boa entrada. Isto parece exigente mas sinto que é aqui que temos espaço para melhorar”, completou.