Rádio Observador

Moda

Nathan Westling. Modelo da Dior e Chanel assume-se como transgénero

278

Há meio ano, Natalie Westling fez uma pausa na moda para pensar em si. Agora, é Nathan, "uma versão masculina" do seu antigo eu. À CNN, o modelo descreveu a mudança e assegurou que agora está feliz.

Apesar de todo o sucesso na sua carreira como modelo, Nathan Westling sentia que precisava de fazer uma pausa para se concentrar apenas em si

Até há seis meses, chamava-se Natalie Westling e com os seus longos cabelos ruivos surgia em capas de revistas e passerelles de marcas conceituadas. Agora é Nathan Westling, um modelo norte-americano que se assumiu como transgénero e recordou todas as mudanças que teve de enfrentar em meio ano, numa entrevista à CNN, desde que decidiu fazer uma pausa no mundo da moda. Aumentou de peso em cerca de nove quilos, o cabelo continua ruivo, a voz tornou-se mais grave e o rosto mais angular. E agora “está tudo bem”, assegurou. “Estou a crescer no meu corpo masculino de jovem adulto.” E quando se olha ao espelho, o que vê? “Uma versão masculina do meu antigo eu”, respondeu Nathan.

Westling chegou aos holofotes da moda em 2013, quando fez o primeiro desfile para a Marc Jacobs. Pouco tempo depois, e ainda como Natalie, era já musa de vários designers conceituados e chegou a fazer campanhas para a Louis Vuitton, Versace, Prada, Chanel, Dior e Alexander McQueen, aparecendo também nas edições americanas, chinesas, japonesas, italianas, francesas e russas da Vogue. O último desfile em que participou ocorreu em outubro de 2018, durante a Semana da Moda de Paris, antes de começar a tomar testosterona durante seis meses.

Apesar de todo o sucesso que tem como modelo, Nathan sentia que precisava de fazer uma pausa para se concentrar em si. O modelo sofreu durante vários anos com uma depressão, ansiedade e problemas relacionados com o controlo da raiva. Decidiu sair de Nova Iorque para Los Angeles e começar a mudança de género: “Cheguei a um ponto em que estava cansado de existir, porque foi assim durante a minha vida. Questionava sempre como é que as pessoas viviam, acordavam e se sentiam bem, simplesmente, e podiam fazer as coisas. Eu não conseguia”, referiu à CNN.

Tenho esta memória viva de estar no recreio da primária a falar com as raparigas e a sentir-me completamente deslocado, porque não me conseguia identificar com o que estavam a pensar, falar e com a sua linguagem corporal, e de ter a mesma conversa com um dos meus amigos [rapazes] e ter um clique imediato”, recordou Nathan Westling, acrescentando que foi nesse momento que começou a questionar-se sobre o seu género.

Os dois primeiros meses de transição, relembra o modelo, “foram difíceis” e só depois de começar a ver as mudanças no corpo é que o seu estado mental “finalmente acordou” e o modelo começou a viver. “Estou feliz. Nem consigo imaginar voltar atrás para viver como vivia antes, porque era apenas escuridão”. Para o futuro, revelou, estão nos planos uma cirurgia de reconstrução do peito, um regresso a Nova Iorque e ao mundo da moda.

“Sinto que utilizei uma máscara durante a minha vida toda. Quando removi essa máscara, foi como se finalmente… Não sei. Já não estou a utilizar uma pele que sinto que não me pertence. Já não estou a interpretar uma persona, a tentar ser alguém que já não sou. Já não me sinto preso no momento estranho do meio-termo”, concluiu.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: cpeixoto@observador.pt
Política

Alguns mitos da democracia portuguesa /premium

André Abrantes Amaral

Alguns mitos desta democracia: que está tudo bem, que os portugueses são racistas e que a direita não existe porque é socialista. Contudo, como sucede com os verdadeiros mitos, estes também são falsos

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)