Moda

Nathan Westling. Modelo da Dior e Chanel assume-se como transgénero

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Há meio ano, Natalie Westling fez uma pausa na moda para pensar em si. Agora, é Nathan, "uma versão masculina" do seu antigo eu. À CNN, o modelo descreveu a mudança e assegurou que agora está feliz.

Apesar de todo o sucesso na sua carreira como modelo, Nathan Westling sentia que precisava de fazer uma pausa para se concentrar apenas em si

Até há seis meses, chamava-se Natalie Westling e com os seus longos cabelos ruivos surgia em capas de revistas e passerelles de marcas conceituadas. Agora é Nathan Westling, um modelo norte-americano que se assumiu como transgénero e recordou todas as mudanças que teve de enfrentar em meio ano, numa entrevista à CNN, desde que decidiu fazer uma pausa no mundo da moda. Aumentou de peso em cerca de nove quilos, o cabelo continua ruivo, a voz tornou-se mais grave e o rosto mais angular. E agora “está tudo bem”, assegurou. “Estou a crescer no meu corpo masculino de jovem adulto.” E quando se olha ao espelho, o que vê? “Uma versão masculina do meu antigo eu”, respondeu Nathan.

Westling chegou aos holofotes da moda em 2013, quando fez o primeiro desfile para a Marc Jacobs. Pouco tempo depois, e ainda como Natalie, era já musa de vários designers conceituados e chegou a fazer campanhas para a Louis Vuitton, Versace, Prada, Chanel, Dior e Alexander McQueen, aparecendo também nas edições americanas, chinesas, japonesas, italianas, francesas e russas da Vogue. O último desfile em que participou ocorreu em outubro de 2018, durante a Semana da Moda de Paris, antes de começar a tomar testosterona durante seis meses.

Apesar de todo o sucesso que tem como modelo, Nathan sentia que precisava de fazer uma pausa para se concentrar em si. O modelo sofreu durante vários anos com uma depressão, ansiedade e problemas relacionados com o controlo da raiva. Decidiu sair de Nova Iorque para Los Angeles e começar a mudança de género: “Cheguei a um ponto em que estava cansado de existir, porque foi assim durante a minha vida. Questionava sempre como é que as pessoas viviam, acordavam e se sentiam bem, simplesmente, e podiam fazer as coisas. Eu não conseguia”, referiu à CNN.

Tenho esta memória viva de estar no recreio da primária a falar com as raparigas e a sentir-me completamente deslocado, porque não me conseguia identificar com o que estavam a pensar, falar e com a sua linguagem corporal, e de ter a mesma conversa com um dos meus amigos [rapazes] e ter um clique imediato”, recordou Nathan Westling, acrescentando que foi nesse momento que começou a questionar-se sobre o seu género.

Os dois primeiros meses de transição, relembra o modelo, “foram difíceis” e só depois de começar a ver as mudanças no corpo é que o seu estado mental “finalmente acordou” e o modelo começou a viver. “Estou feliz. Nem consigo imaginar voltar atrás para viver como vivia antes, porque era apenas escuridão”. Para o futuro, revelou, estão nos planos uma cirurgia de reconstrução do peito, um regresso a Nova Iorque e ao mundo da moda.

“Sinto que utilizei uma máscara durante a minha vida toda. Quando removi essa máscara, foi como se finalmente… Não sei. Já não estou a utilizar uma pele que sinto que não me pertence. Já não estou a interpretar uma persona, a tentar ser alguém que já não sou. Já não me sinto preso no momento estranho do meio-termo”, concluiu.

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