A motorização eléctrica dos meios de transporte, especialmente a alimentada por bateria tem as suas vantagens, mas também algumas limitações. Porém, está a alastrar a todas as áreas. Os automóveis marcaram a moda actual, não falta muito para os camiões aderirem à solução (resta ver com que eficácia) e as motos começam a aparecer. E não nos referimos apenas às simpáticas e pequenas scooters eléctricas, uma vez que a nova Strike prova que até as superdesportivas podem trocar a gasolina pelos kW.

A Strike é a primeira moto capaz de interessar ao grande público construída pela Lightning Motorcycles, fundada na Califórnia em 2006, onde monta os seus veículos, apesar de grande parte das peças serem produzidas numas instalações que possui na China, próximo de Xangai. Revelada esta semana, é tão elegante e agressiva como qualquer outra do seu segmento, assumindo-se como clássica em matéria de quadro, braço oscilante e garfo com suspensões invertidas (há um Performance Pack com suspensões Öhlins, travões Brembo e instrumentos AIM Strada). Mas a Strike destoa das restantes motos desportivas por trocar o motor a gasolina por um eléctrico e o depósito de gasolina por baterias. Ainda que desportiva, a Strike é apenas a “irmã” mais nova e acessível da LH218, a primeira moto da Lightning que venceu a concorrência (eléctrica, mas também a tradicional a gasolina) na rampa de Pikes Peak em 2013, sendo a detentora do recorde em Bonneville Salt Flats, onde alcançou 218,96 milhas por hora (e daí a denominação), ou seja, 352,31 km/h. E isto com um motor de apenas 203 cv, mas um preço de 39.000 dólares.

Para a Strike, a Lightning não pretendia bater recordes, mas sim oferecer um veículo de duas rodas capaz de se bater com as superdesportivas da classe 750/1000 cc a gasolina. E, para se tornar mais acessível, o modelo é oferecido em três versões com três capacidades de bateria, com a mais barata a arrancar nos 12.998$. Este é o valor exigido pela versão de entrada denominada Strike Standard, que possui uma bateria de apenas 10 kWh, um peso de 206 kg, uma autonomia de 112 km (70 mph) em auto-estrada e 161 km (100 mph) em cidade, com uma velocidade máxima de 217 km/h.

A Strike Mid Range monta uma bateria com 50% mais capacidade (15 kWh), o que eleva a autonomia para 169 km em auto-estrada e 241 km em cidade, com um custo de 16.998$ e um peso de 211 kg. Já a Strike Carbon Edition surgir com uma bateria de 20 kWh (e 220 kg) e uma capacidade de percorrer 322 km em cidade, o que eleva o custo para 19.998$.

As versões da Strike com 10 e 15 kWh montam um motor de 91 cv e 244 Nm, isto é, metade da potência, mas mais do dobro da força de uma mil superdesportiva de 180 cv e 106 Nm, como a Yamaha R1 ou a Honda equivalente. A Strike com a bateria maior, de 20 kWh, deixa o motor subir até aos 120 cv, mas com o mesmo binário, com qualquer uma das baterias a poder ser recarregada lá em casa, ligadas à tomada ou a uma wallbox, ou num posto de carga rápida. As primeiras unidades começarão a ser entregues a partir de Julho, nos EUA, com as exportações para os restantes países e continentes, a serem anunciadas mais tarde.