Dezenas de substâncias químicas com riscos identificados para a saúde e ambiente continuam a ser comercializadas na União Europeia (UE), apesar de ter sido criado, há 12 anos, um regulamento para o registo, avaliação, autorização e restrição de produtos químicos, o Reach. A UE assume que 60% das substâncias existentes são prejudiciais para a saúde e ambiente, havendo mesmo um que é potencialmente cancerígeno.

De acordo com o jornal Público que cita a EEB (European Environmental Bureau), uma rede de organizações ambientalistas, estas substâncias estão presentes em bens de uso quotidiano, como o vestuário e a cosmética, e na construção. Em 12 anos de existência, quase 22 mil substâncias foram registadas, por parte das empresas, para avaliação.

A ECHA, a Agência Europeia para as Substâncias Químicas criada com a aprovação do regulamento Reach, em 2007, já analisou dois mil processos, dos 90 mil pedidos feitos por empresas, que dizem respeito a 700 substâncias. A ECHA revela que, em 70% dos casos, não foi submetida a documentação exigida pelo regulamento — que origina atrasos nas tarefas de avaliação, autorização ou possível restrição do uso de determinados produtos.

Entre as avaliações concluídas está a realizada ao N-ciclohexil-2-benzotiazol sulfenamida — um aditivo usado, por exemplo, em plásticos, pneus, brinquedos, cortinas ou calçado. Esta substância está já identificada como potencialmente cancerígena.

Desde 2012, foi considerado prioritário avaliar 352 substâncias, até 2018. Mas, de acordo com o mesmo jornal, os Estados-membros só conseguiram fazer uma análise aprofundada de 94 dessas substâncias — o que representa menos de 27%.