Estávamos em 1993. La Toya Jackson, irmã do rei da pop, discursava numa conferência de imprensa em Tel Aviv, organizada pelo então marido e manager, Jack Gordon. “Devo confessar que isto é muito difícil para mim, porque o Michael é meu irmão e amo-o profundamente, mas não posso, nem quero, ser uma colaboradora silenciosa dos seus crimes contra crianças inocentes”, disse na altura.

O El País recorda que as declarações de La Toya aconteceram depois de no início do verão de 1993, Evan Chandler acusar Michael Jackson de abusar sexualmente do seu filho Jordan, de 13 anos. O escândalo mundial obrigou-o a cancelar uma tour,  mas foi silenciado com um acordo financeiro de 23 milhões de dólares (pouco mais que 20 milhões de euros) entre ambas as partes.

Após a morte do cantor, em 2009, Jordan Chandler confessou ter mentido, juntamente com o pai, por questões económicas. Uns meses mais tarde, Evan Chandler, o pai, suicidou-se.

Este caso foi só mais um de muitos que La Toya conheceria. O ano de 1993 trouxe à tona outras alegações de abusos sexuais cometidos por Michael Jackson, envolvendo 2 jovens. As opiniões dividiram-se: houve quem acreditasse que o rei do pop era responsável pelos atos e quem se recusasse a acreditar. A irmã de Michael Jackson explicava então que tinha visto muitos cheques de “largas quantidades de dinheiro” entregues a pais dos menores, vítimas de violação. “Se ficar calada”, continuava La Toya, “alimentaria a culpa e humilhação que esses meninos sentem agora”.

Era a primeira vez que a artista falava sobre o tema. E de forma cçara: “Nunca quis falar antes, mas acho que é muito triste, porque também eu sou uma vítima, sei como é: estas crianças vão viver assustadas para o resto da sua vida, e não quero ver mais nenhum menino inocente afetado desta forma”.

La Toya também foi vítima de violação pelo própria pai, e à medida falava sobre o tema, subia de tom e exaltava-se, questionando os jornalistas sobre o que achavam de um homem de 35 anos [Michael Jackson], que estivesse fechado 5 dias numa casa com uma criança. “Gosto muito do meu irmão, mas isto está mal, não quero ver esses meninos sofrer, porque eu também sofri, o meu pai abusou sexualmente de mim”.

A mãe de La Toya e de Michael, Katherine Jackson respondeu depois às acusações da filha dizendo que ela “fazia dinheiro com as mentiras” e que, muito provavelmente, teria sido paga para acusar o irmão.

O documentário ‘Leaving Nerverland’, da HBO, lançado este ano, conta agora a história do relacionamento de longa data entre Michael Jackson e dois menores – James Safechuck e Wade Robson (na altura com idades entre os 7 e os 10 anos) –, e com as suas famílias. Aos 30 anos, as então crianças, relatam agora na primeira pessoa os abusos sexuais que sofreram.

O documentário voltou a dividir opiniões, mas trouxe de volta o vídeo em que La Toya acusa o irmão de violar crianças.

La Toya sempre foi considerada a ovelha negra da família. Em 1991 publicou o livro ‘Growing Up with the Jackson Family’, onde relatou os abusos físicos e psicológicos que sofreu, juntamente com os seus irmãos Michael e Janet, exercidos pelo pai e com o consentimento da mãe.

A família negou os abusos e acusou a artista de querer fama e dinheiro à custa da família. As culpas foram atribuídas ao marido e manager de La Toya, Jack Gordon, que, segundo os Jackson tinha manipulado a artista.

No entanto, e após negação prévia do testemunho da irmã, nos anos 2000 tanto Michael como Janet Jackson acabaram por confessar os maus tratos que sofreram desde pequenos, por parte do pai.

A história não ficou por aqui. Em 2011, La Toya publicou outro livro, ‘Starting Over’, onde então nega os abusos sexuais cometidos pelo pai e retira as acusações feitas a Michael Jackson em 1993. Já divorciada de Gordon, escreve que sofreu maus tratos físicos e psicológicos durante ano do ex-marido, com quem casou contra a sua vontade.