O Reino Unido pode ainda não ter saído da União Europeia (UE), mas nos novos passaportes é como se isso já tivesse acontecido. A descoberta foi feita por Susan Hindle Barone, uma cidadã britânica que, depois de renovar o passaporte, colocou o novo ao lado do antigo e viu que, no mais recente, deixou de estar escrito “União Europeia” na capa.

“Fiquei surpreendida. Nós ainda somos um membro da UE. Fiquei surpreendida por termos feito esta alteração quando ainda nem sequer saímos e é uma marca tangível de algo que acho que é totalmente fútil”, disse, Susan Hindle Barone, em declarações à BBC. Defensora da continuação do Reino Unido na UE, acrescentou: “O que é que ganhamos com a nossa saída? De certeza que temos muito a perder”.

Esta alteração foi justificada por uma porta-voz do Home Office, correspondente ao Ministério da Administração Interna no Reino Unido, disse que esta medida serviu para utilizar o resto do stock dos passaportes de capa bordô que ainda estão por imprimir.

Tudo isto porque, até ao final do ano, os passaportes bordôs vão ser substituídos pelos passaportes azuis-escuros de outrora. Esta era uma exigência simbólica de vários quadrantes pró-Brexit, que olham de forma negativa para os passaportes bordô, adotados em 1988 pelo Reino Unido de forma a assemelhar-se mais aos dos restantes países da UE. Desde então, para os setores mais eurocéticos do Reino Unido, o passaporte azul passou a ser um objeto de nostalgia e o seu regresso uma causa simbólica.

De acordo com aquela porta-voz, aqueles passaportes foram emitidos já desta forma, sem menção à UE, “de maneira a usar os restos em stock e conseguir utilizar da melhor maneira o dinheiro dos contribuintes. Além disso, acrescenta, não haverá nenhuma diferença prática decorrente desta alteração. “Não vai haver diferença para os cidadão britânicos quer usem um passaporte que inclui as palavras ‘União Europeia’ ou um passaporte que não as inclui. Os dois designs serão igualmente válidos para viajar”, disse.