A vitória do FC Porto nas grandes penalidades frente ao Barcelona, na primeira meia-final da Liga Europeia, confirmou que, pela terceira vez nos últimos sete anos, a decisão da principal prova europeia de hóquei em patins iria ser discutida entre duas equipas portuguesas – com o Benfica a surgir como denominador, após ter defrontado (e vencido) o FC Porto em 2013 no Dragão e a Oliveirense em 2016 na Luz. No entanto, esse cenário acabou por ser contrariado, com o Sporting a vencer os encarnados por 5-4 num Pavilhão João Rocha com lotação esgotada e a apurar-se para a final deste domingo (18h).

Naquele que foi o terceiro de quatro dérbis que se irão realizar na presente temporada (empate a três no Campeonato e vitória dos leões por 4-1 na Luz, havendo ainda a meia-final da Taça de Portugal por disputar), o conjunto verde e branco, que quebrou no ano passado um longo jejum de vitórias no Campeonato, voltou a alcançar uma final europeia da principal prova de clubes 30 anos depois da derrota frente aos espanhóis do Noia (7-4 e 3-1), tentando repetir o feito de 1977 quando o Cinco Maravilha com Ramalhete, Rendeiro, Sobrinho, Chana e Livramento derrotou o Vilanova (6-0 e 6-3).

Depois de um arranque equilibrado, com Girão a somar algumas intervenções que foram mantendo o nulo no resultado, Pedro Gil, desde início o melhor dos leões, aproveitou mais uma transição para inaugurar o marcador com um remate de meia distância aos oito minutos. O Benfica ia tentando jogar em velocidade, lançou a dupla argentina Nicolia-Ordoñez mas nunca contou nesse período com a habitual inspiração das unidades mais adiantadas e acabou mesmo por sofrer o segundo golo por Matías Platero, numa grande combinação com Romero (16′). Logo na resposta, Diogo Rafael conseguiu reduzir num lance que apanhou a defesa verde e branca parada (16′) mas foi o Sporting a mostrar um maior conforto no jogo mesmo perante a subida das linhas do adversário e a chegar ao 3-1 ainda antes do intervalo de novo por Platero com assistência de Pedro Gil, em mais uma transição que até começou com um desvio com a luva de André Girão que lançou o espanhol na frente (23′).

O segundo tempo começou com a equipa de Paulo Freitas a saber gerir a vantagem, com Platero e Henrique Magalhães sempre assegurar uma grande estabilidade ao jogo dos verde e brancos entre oportunidades para os dois lados que se foram sucedendo sem sucesso até aos últimos dez minutos, altura em que o internacional português aumentou para 4-1 com um grande lance individual na área encarnada (41′). O Pavilhão João Rocha, com a maior assistência desde a sua existência (2.987 espetadores), celebrou de forma efusiva aquilo que parecia ser o carimbo final do resultado, a formação leonina “adormeceu”, perdeu alguma intensidade e concentração e permitiu que o Benfica tivesse seis minutos de rompante a empatar a quatro.

Diogo Rafael, num lance em que conduziu bola com demasiado espaço até ao remate de meia distância sem hipóteses para Girão, reduziu para 4-2 aos 43′; Nicolia, numa jogada individual onde conseguiu finalmente fazer uso da sua técnica para ganhar espaço e atirar cruzado, apontou o 4-3 (44′); e Lucas Ordoñez, no seguimento de uma bola onde o Sporting podia ter feito o 5-3 mas Pedro Henriques evitou o golo de Ferran Font, encostou à boca da baliza após assistência de Nicolia para o empate (47′). O jogo partiu, recuperou o seu ritmo frenético e os encarnados aproveitaram esse momento da melhor forma antes de um desconto de tempo que serenou os ânimos e colocou de novo os leões no jogo, chegando ao 5-4 a menos de dois minutos do final com um remate fortíssimo de Romero, jogador que esteve em dúvida até à hora do arranque pelo problema (que chegou a parecer grave) no braço direito contraído nos quartos da Taça de Portugal frente ao FC Porto.

Assim, e apenas uma semana depois do clássico para a Taça de Portugal (8-7 após prolongamento), Sporting e FC Porto irão encontrar-se pela quinta vez na presente temporada com triunfos repartidos até ao momento: os azuis e brancos ganharam a Supertaça (4-1) e o quase decisivo jogo do Campeonato em casa na segunda volta (3-1), os leões venceram as duas partidas em Alvalade para Campeonato (5-3) e Taça. E se já havia a certeza da final 100% portuguesa (a terceira da história) depois do triunfo dos dragões com o Barcelona no desempate por grandes penalidades, fica agora a garantia que uma das equipas irá quebrar um longo jejum: o FC Porto, que ganhou a Liga Europeia em 1986 e 1990, leva nove finais perdidas na competição; o Sporting, que não ia a uma final europeia há 30 anos, venceu pela única vez o troféu no longínquo ano de 1977.