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1ª Bienal de Fotografia do Porto debate a arte e a sustentabilidade com 16 exposições

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16 exposições, 14 espaços da cidade, 11 curadores e 53 artistas nacionais e internacionais compõem o programa da 1ª Bienal de Fotografia do Porto, que acontece de 16 de maio a 2 de julho.

Autor
  • Maria Martinho

Discutir as mudanças culturais e a ambientais e reconhecer o ser humano enquanto força de construção e destruição do planeta são os pontos de partida para a 1ª edição do evento no Porto que quer promover a criação, o debate e a reflexão. “A Ci.CLO Bienal’19 surge como consequência do trabalho desenvolvido pela plataforma Ci.CLO, uma estrutura independente de pesquisa e criação na área da fotografia que estabelece uma relação com outras disciplinas artísticas, ambientais e sociais. A plataforma foi fundada em 2015 e desenvolve um trabalho continuo de experimentação em colaboração com artistas, oferecendo um espaço de ensaio dedicado à criação”, começa por explicar Virgílio Ferreira, diretor artístico e fotógrafo há 25 anos, em entrevista ao Observador.

“Adaptação e Transição” é o tema da primeira Bienal de Fotografia do Porto, cujo principal desafio passar por pensar “os sintomas da crise ecológica e re-imaginar outras estratégias de regeneração social e ambiental, através da prática artística”. Para o responsável, este evento “posiciona-se como uma plataforma para promover o debate sobre arte e sustentabilidade, desconstruindo a ética e os valores tradicionais e explorando novas formas de agir”.

A partir de quinta-feira o Porto recebe 16 exposições, 11 curadores e 53 artistas portugueses, polacos, alemães, italianos ou ingleses, mas também alunos da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Escola Superior Artística do Porto e Escola Artística Soares dos Reis, que aqui apresentarão trabalhos maioritariamente inéditos. “Há uma preocupação e interesse em incentivar e estimular a criação artística com artistas emergentes, proporcionando-lhes não só um espaço de exibição dos seus trabalhos, mas também um acompanhamento e orientação curatorial durante todo o processo de desenvolvimento dos projetos”, sublinha Virgílio Ferreira.

Da programação, que se estende até ao dia 2 de julho, constam exposições que vão acontecer em 14 espaços da cidade: Jardins do Palácio de Cristal, Reitoria da Universidade do Porto, Galerias e átrios do edifício dos Paços do Concelho da Câmara Municipal do Porto, Mira Fórum, Palacete de Belomonte, Centro Português de Fotografia, Museu da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Salut Au Monde!, Casa do Infante, Galeria Painel do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, Palacete Viscondes de Balsemão, Casa Tait, Estação de Metro São Bento e Aliados.

Krysztof Candrowicz, diretor artístico da Trienal de Fotografia de Hamburgo, faz a curadoria da exposição “Stories on Earthly Survival”, no Centro de Português de Fotografia. A exposição reúne sete artistas internacionais, entre os quais a britânica Mandy Barker, que apresentará o projeto Soup, Sand, Beyond Drifting: Imperfectly Known Animals, um diálogo entre fotografia e investigação científica que explora a problemática do lixo plástico nos oceanos. Com curadoria de José Maia, o Mira Forum receberá a exposição o exílio da paisagem, onde Chana de Moura e Dinis Santos, artistas selecionados na Ci.CLO Open Call, apresentarão trabalhos produzidos e pensados exclusivamente para a Ci.CLO Bienal’19. Jayne Dyer, artista, crítica de arte e académica australiana que tem trabalhado questões como a identidade, o desperdício e a (dis)funcionalidade dos ambientes urbanos e naturais, apresentará This Savage Garden, uma intervenção artística em cinco locais dos Jardins do Palácio do Cristal”, destaca o diretor artístico.

Outro dos pontos é o Visual Space of Change, um projeto fotográfico que reúne artistas visuais, arquitetos e curadores “num exercício de reflexão sobre as preocupações relacionadas à transformação do território, do espaço público e do meio ambiente”. Trata-se de uma exibição de projetos de fotografia contemporânea através da projeção de vídeo e fotografia nas Estações de Metro de São Bento e Aliados.

Após a Bienal no Porto alguns trabalhos desenvolvidos serão selecionados para uma itinerância nacional e internacional em instituições culturais, como museus e festivais, “promovendo a sua visibilidade entre vários públicos”.

A par das mostras, a iniciativa conta também com oficinas, fóruns públicos, projetos de criação, residências artísticas, um simpósio e a edição de um Guia-Verde. “É uma publicação que tem como objetivo mapear as iniciativas portuguesas comprometidas com questões ambientais e sociais, estimulando os artistas e a comunidade a construir para a integração das artes na sensibilização para sustentabilidade”, explica Virgílio Ferreira, fotógrafo e diretor artístico do evento.

A Ci.CLO Bienal’19 conta com o apoio da Direção-Geral das Artes e da Câmara Municipal do Porto, bem como parceiros de referência internacional como a Fundação Ásia-Europa e a Trienal de Fotografia de Hamburgo, um dos maiores eventos de fotografia da Europa.

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