Duas semanas antes de Liverpool e Tottenham se encontrarem no Wanda Metropolitano para disputarem uma final da Liga dos Campeões totalmente inglesa, Lyon e Barcelona disputavam este sábado a final da Liga dos Campeões de futebol feminino. Em Budapeste, na Hungria, a equipa francesa tentava alargar a total hegemonia que tem tido nas últimas temporadas com a conquista da quarta Champions consecutiva contra o conjunto catalão, que chegou esta época à primeira final europeia do seu palmarés.

Para chegar à final de Budapeste, o Lyon eliminou o Chelsea nas meias-finais e o Barcelona deixou para trás o Bayern Munique. A segunda mão da meia-final, porém, retirou um dos principais trunfos das catalãs: Kheira Hamraoui, médio que representou precisamente o Lyon nas últimas duas temporadas e que viu dois cartões amarelos contra o Bayern, ficando impedida de disputar a inédita final do Barcelona. As espanholas alinhavam então com a equipa tipo à exceção da francesa, com destaque para a dupla de ataque formada por Toni Duggan e Lieke Martens, mas com uma qualidade individual inegavelmente inferior ao onze apresentado por Reynald Pedros, treinador do Lyon.

As francesas entravam em campo com Lucy Bronze, titular da seleção inglesa e filha de portugueses, na direita da defesa; Wendie Renard, capitã de equipa e jogadora com mais presenças em jogos da Liga dos Campeões; Henry e Le Sommer, ambas com presença assídua na seleção francesa que é uma das principais candidatas à conquista do Mundial que começa já nos primeiros dias de junho; e Marozsán, indiscutível na seleção alemã. A grande referência do Lyon, porém, é Ada Hegerberg, a avançada norueguesa que venceu a Bola de Ouro no final da temporada passada e que é considerada a melhor jogador do mundo.

Mas Hegerberg tem feito capas de jornais nos últimos dias por motivos que pouco ou nada têm a ver com o troféu que recebeu logo antes de Luka Modric ser considerado o melhor do mundo. A norueguesa de 23 anos, que é a principal referência da seleção nórdica, recusou ser convocada para o Mundial do próximo mês de junho por estar de relações cortadas com a Federação devido à disparidade no tratamento dos jogadores e das jogadoras. Quer isto dizer, portanto, que a melhor jogadora do mundo não vai estar no Campeonato do Mundo por decisão própria — e que esta final da Liga dos Campeões era o último jogo importante da temporada de Ada Hegerberg.

No que diz respeito ao jogo propriamente dito, o Lyon confirmou o favoritismo e inaugurou o marcador logo aos cinco minutos, por intermédio da alemã Marozsán. Depois, com um hat-trick em pouco mais de 15 minutos, Hegerberg lembrou que estava ali para terminar da melhor forma uma temporada em que já ajudou o Lyon a chegar ao 13.º (!) título nacional consecutivo. À meia hora, o Lyon já goleava o Barcelona por 4-0 e acabou por conquistar a quarta Liga dos Campeões em quatro anos, já que na segunda parte as francesas até ofereceram a iniciativa às espanholas e limitaram-se a controlar o resultado (Oshoala ainda reduziu para as espanholas em cima dos 90′). Na antecâmara do próximo Mundial, o Lyon solidifica a completa hegemonia que tem tido no futebol feminino europeu nos últimos anos e Ada Hegerberg, a grande ausência do Campeonato do Mundo, mostrou que não faltou à chamada para o jogo mais importante do ano.