A Feira do Livro de Lisboa vai voltar a bater recordes. A 89.ª edição, que começa no dia 29 de maio, uma quarta-feira, vai ser a maior de sempre. Terá mais 32 pavilhões do que em 2018, 25 novos participantes (num total de 138) e dez novas marcas editoriais (636 ao todo). Haverá também um novo espaço dedicado aos estreantes que ocupará uma das áreas verdes do Parque Eduardo VII (o evento costumava apenas calçada), do lado esquerdo da entrada sul do recinto, e melhoramentos nas zonas comuns. A adoção de medidas mais sustentáveis, como a disponibilização de sacos de papel reutilizáveis, permitiu também tornar o evento mais amigo do ambiente, como foi explicado esta quarta-feira à tarde durante a apresentação desta edição.

Além do aumento do número de editoras e marcas editoriais representadas — que permitirá, segundo a estimativa da organização, ter 100 mil títulos disponíveis, o que corresponde a entre 80% a 90% dos livros que podem ser encontrados no mercado –, haverá outras novidades. O recinto sofreu uma reorganização e algumas editoras renovaram o seu espaço, como é o caso da Almedina e da Relógio d’Água. Na zona dedicada aos novos participantes, poderão ser encontradas marcas como a Ler Devagar, a Fundação EDP e a Fundação Serralves, que participa sozinha pela primeira vez.

Uma outra novidade é a cedência de dez cadeiras de rodas e cinco andarilhos pela Santa Casa da Misericórdia (que volta a ter um espaço próprio), facilitando assim o acesso à Feira a quem tem uma mobilidade reduzida. Estes estarão disponíveis no pavilhão de informações da APEL. Além da distribuição de 60 mil sacos de papel, que visam diminuir o uso do plástico no evento, a Feira do Livro, organizada pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, decidiu promover uma maior sustentabilidade através da criação de um parque extra para estacionar bicicletas. Já não há desculpas para ir de carro.

Na zona de alimentação, o número de opções irá manter-se (42 empresas), assim como o wi-fi gratuito nas praças principais. Haverá uma nova aplicação, um site melhorado e três pontos de carregamento para telemóveis (uma novidade). “Acreditamos que será mais fácil para as pessoas que forem visitar a Feira terem toda a informação”, disse Bruno Pacheco, secretário-geral da APEL, que esteve na apresentação desta quarta-feira, no Parque Eduardo VII. O responsável declarou que é por estas e outras razões que a organização acredita que a Feira do Livro de Lisboa está “maior, melhor, mais verde e mais familiar”.

Dia da Criança com maratona de leitura de contos infantis

O número de atividades também deverá contribuir para isso. Até ao momento, os organizadores receberam informação relativa a 800 iniciativas, um número superior ao que havia no ano passado pela mesma altura. Tal como em 2018, as Bibliotecas Municipais de Lisboa (BLX) continuarão a ser responsáveis pelo desenvolvimento da programação cultural do evento, que terá especial incidência na promoção de iniciativas destinas ao público infantil, às famílias e às escolas. Como lembrou Bruno Pacheco, 12% das pessoas que se deslocam até ao Parque Eduardo VII são crianças, o que significa que a Feira é visitada anualmente por cerca de 70 mil crianças.

A programação das BLX será, como sempre, variada, com música, visitas guiadas e oficinas. No Dia Mundial da Criança, 1 de junho, haverá uma maratona de leitura de contos infantis, das 11h às 23h, e a Tia Cátia, apresentadora de um programa de culinária do 24 Kitchen, será responsável por um workshop para os mais pequenos que ensinará a fazer bolos. A iniciativa “Acampar com Histórias”, que leva crianças entre os 8 e 10 anos a passarem uma noite divertida rodeada de livros na Estufa Fria, vai voltar nos dias 31 de maio, 1, 7, 8, 9, 12, 14 e 15 de junho.

Além dos eventos da BLX, haverá muitos outros, da responsabilidade das editoras presentes. A Fundação Francisco Manuel dos Santos voltará a ter uma praça própria, onde celebrará o seu décimo aniversário. A APEL também continuará a ter um espaço junto à entrada. Neste poderá ser visitada a exposição Leitura em Família, uma iniciativa que pretende promover a reflexão sobre os hábitos de leitura das famílias e sensibilizar para a importância dos livros no desenvolvimento cognitivo das crianças. O “Sensório Forbrain”, do lado direito do recinto, permitirá às famílias acompanhadas por crianças experienciarem o prazer da leitura.

Feira continua a encerrar às 22h de domingo a quinta-feira

Tal como no ano passado, a Feira do Livro vai encerrar, de domingo a quinta-feira, Às 22h e não às 23h. Isto significa que, ao contrário de anos anteriores, a “Hora H” — que tem descontos mínimos de 50% nos livros que ultrapassem os 18 meses de preço fixo — vai acontecer às 21h, de segunda a quinta-feira. Durante a apresentação desta quarta-feira, Bruno Pacheco lembrou também que, tento em conta o calendário de 2019, a “Hora H” só acontecerá na segunda e terceira semanas do evento.

Em 2019, a Feira voltará a não começar a uma quinta-feira, como sempre aconteceu, mas a uma quarta. Já no ano passado a organização tinha decidido arrancar com o evento num dia diferente, sexta-feira, “por facilidade de calendário”, isto é, para que pudesse terminar a 13 de junho, feriado municipal. Este ano, a Feira do Livro de Lisboa encerra a 16 de junho, um domingo. No ano passado, visitaram o Parque Eduardo VII, segundo dados da organização 492 mil pessoas, um número inferior ao de 2017 (537 mil visitantes).