A construção da ala pediátrica do Centro Hospitalar Universitário de São João, no Porto, deverá iniciar até ao final do ano, garantiu esta terça-feira o presidente do Conselho de Administração, Fernando Araújo.

“Tudo indica que durante este ano, e espero que de forma precoce, possamos iniciar a obra no terreno”, disse aos jornalistas o ex-secretário de Estado Adjunto e da Saúde, à margem da cerimónia de inauguração das novas instalações da Unidade de Neurocirurgia, que funcionou durante cerca de 12 anos em contentores.

Fernando Araújo explicou que o projeto de arquitetura, que foi entregue a 29 de abril, está em fase de revisão, devendo estar concluída durante o mês de junho.

O grupo de trabalho independente designado pelo hospital para estabelecer critérios de seleção de empresas para a obra já está a fazer a seleção, salientou.

“O grupo de trabalho, que é liderado pela Ordem dos Engenheiros, nomeadamente pelo engenheiro Poças Martins, está a selecionar as empresas a quem vamos pedir propostas para este projeto”, vincou.

Os prazos da empreitada estão a decorrer dentro do planeado, o que é uma “boa notícia”, adiantou.

Em face da urgência da construção desta empreitada, a Lei do Orçamento de Estado para 2019 autorizou o centro hospitalar a recorrer ao procedimento de ajuste direto na contratação.

A ala pediátrica, a funcionar em contentores há cerca de dez anos, assenta na construção de um edifício funcional adaptado aos cuidados multidisciplinares de elevada diferenciação prestados a crianças e adolescentes com doença complexa na região Norte.

Nesta será incluída a primeira unidade de queimados pediátricos do Norte, necessidade identificada desde há muitos anos e nunca concretizada.

Na semana passada, a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) revelou à Lusa que tem em curso “um processo de inquérito” aos contentores de internamento pediátrico do Hospital de São João.

“O pedido [de inspeção às instalações, feito no início do mês pela APO – Associação Pediátrica Oncológica] foi recebido, está a ser analisado, e foi associado ao processo de inquérito aberto em maio de 2018 pela ERS”, disse fonte oficial da ERS, em resposta a perguntas da Lusa.