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Luís Marques Mendes

Marques Mendes: trocar Ferro Rodrigues por Carlos César é uma “desconsideração” e um “erro político”

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Comentador diz que António Costa está prestes a cometer "erro político", se trocar Ferro Rodrigues por Carlos César na liderança da AR. É uma desconsideração. PSD e CDS vivem o seu pior momento.

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Luís Marques Mendes deixou um aviso aos socialistas, ao considerar que António Costa, está prestes a cometer um”erro político” – substituir Ferro Rodrigues por Carlos César na Presidência da Assembleia da República. No seu habitual espaço de comentário na SIC, Marques Mendes considera que esta troca — noticiada em alguns jornais mas que dá como certa  — é um duplo erro.

Um erro de atitude e correção para com Ferro Rodrigues. “É uma desconsideração enorme” para uma pessoa que fez um bom mandato, com sensatez e que merecia ser convidado a manter-se no cargo.

Mas é também  “um erro político”. Se o Governo não tiver maioria absoluta e precisar de dialogar no Parlamento, Ferro Rodrigues é muito melhor solução que Carlos César”. Tem mais capital político e menos anti-corpos.

No seu espaço semanal de comentário, o ex-líder do PSD, concordou com a análise do Presidente da República, e também ex-comentador, sobre o que significa o resultado das eleições europeias para os partidos à direita em Portugal. No seu habitual espaço de comentário na SIC, Marques Mendes defendeu que “o PSD e o CDS, em conjunto, vivem um dos piores momentos da sua história, talvez o pior. E o drama maior é não se perceber que este não é um problema de comunicação. Não. É um problema político sério e profundo”. E considera que os social-democratas estão a tornar-se um partido rural, sem grande apoio nos centros urbanos,

O comentador, que foi líder do PSD, aponta três razões essenciais para a crise

  • Faltam causas ao PSD e ao CDS. Acabaram as causas do passado e os dois partidos não foram capazes de gerarem novas causas. E as que tinham, como o rigor financeiro, foram assumidas pelos socialistas. “O PS, habitualmente o partido da cigarra, transformou-se agora no partido da cigarra e da formiga”,  que contribuiu para esvaziar politicamente os partidos à direita.
  • Faltam protagonistas de peso na oposição. Cristas não é Paulo Portas e Rui Rio “não tem  tem o capital político de Passos Coelho”.
  • Falta coesão ao centro-direita. Os dois partidos estão virados cada um para o seu lado e entretidos com “guerras internas, lugares e pequenos poderes”.

Para Marques Mendes, se estes resultados se confirmarem nas legislativas, PS e PSD vão atravessar uma crise de liderança e poderão demorar muito tempo a voltar a poder.

PS com maioria absoluta ou sozinho em Governo minoritário

E o PS? O comentador da SIC adianta que existem varias razões para os socialistas “sonhar de novo com a maioria absoluta”. A falta de alternativas à direita demonstrada nas europeias, a valorização da ideia de estabilidade pelos portugueses e, acima de tudo a circunstância de apreciarem o que chama “o “Bloco Central institucional”. Marcelo em Belém, Costa em S. Bento – um Presidente de centro-direita e um PM de centro-esquerda. Esse equilíbrio, recorda já aconteceu com Soares, Presidente e Cavaco, Primeiro-Ministro. “Na altura, foi o PS que sofreu 10 anos de oposição. Agora, sofrem PSD e CDS”.

E se não tiver maioria? Ao contrário de outros comentadores, Marques Mendes não aponta para uma nova versão da “geringonça” com o PAN, por exemplo. Diz que os socialistas podem governar sozinhos com acordos pontuais, à direita e à esquerda, podem ficar no poder sem o exercer e o Governo pode cair a meio do mandato. Para o comentador, o “que vamos ter nos próximos 4 anos são duas coisas – pântano e apagão .

Operação Stop do Fisco. Diretora-geral deveria pelo menos por cargo à disposição

O comentador não deixou passar a operação STOP do Fisco que parou carros numa autoestrada do Norte para cobrar dívidas, elogiando a atuação do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. António Mendonça Mendes “agiu bem, com rapidez mas com equilíbrio, para não desmotivar os agentes do Fisco”. No entanto, não deixa de manifestar estranheza pelo facto de estas operações já terem ocorrido no passado e o Governo só reagir depois de serem noticiadas. Volta a estranhar o desconhecimento por parte da diretora-geral de impostos para quem terão sido enviados os planos de atividades das direções distritais do Fisco. No entender de Marques Mendes, Helena Borges deveria no mínimo colocar o cargo à disposição ou até demitir-se.

Destaca ainda o contraste com o tratamento dado aos devedores em incumprimento da banca, protegidos pelo sigilo bancário.

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