Sporting

A antecâmara do ataque à Academia, a relação com os jogadores e Bruno de Carvalho: as explicações de Mustafá

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Mustafá, líder da Juve Leo, respondeu à Sábado sobre o ataque à Academia e as reuniões com o ex-presidente. No final, não tem dúvidas: a claque foi colada ao ato para derrubar Bruno de Carvalho.

Nuno Mendes, aqui numa conferência de imprensa na sede da Juventude Leonina, depois dos ataques à Academia do Sporting

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Nuno Mendes, mais conhecido por Mustafá, líder da Juventude Leonina que se encontra em prisão preventiva há três semanas no âmbito do caso da invasão à Academia Sporting, em Alcochete – depois de ter visto recusado o pedido de habeas corpus na passada quinta-feira pelo Supremo Tribunal de Justiça –, falou pela primeira vez depois da acusação do Ministério Público. Respondendo por escrito à revista Sábado (conteúdo fechado), o número 1 da claque verde e branca negou qualquer tipo de premeditação no ato, assegura que desconhecia que tal fosse acontecer, refuta a ligação do anterior presidente do clube, Bruno de Carvalho, ao sucedido e fala mesmo numa “perseguição” que lhe está a ser movida sem fundamentos para tal.

“Em relação a Alcochete, penso que a única maneira de retirar Bruno de Carvalho do Sporting era associar a Juve Leo à invasão. Bruno de Carvalho estava a ser um peso para muita gente. São 41 arguidos, dos quais 14 são da Juve Leo. Porque se diz que foi a Juve Leo? Quem são os outros? Já perguntaram?”, destacou. “O conhecimento que tinha dos acontecimentos de 15 de maio devia-se à violação do segredo de justiça. Depois vim a saber mais. Porque foram já de cara tapada? A única coisa que posso garantir é que comigo ninguém entrava de cara tapada. O porquê, terá de perguntar a quem o fez”, acrescentou.

“A relação [com Bruno de Carvalho] foi uma relação de presidente para presidente, com respeito de ambas as partes. Não havia uma frequência regular [de reuniões], reunimos várias vezes em várias ocasiões, sempre acompanhados”, contou, antes de detalhar o encontro a 7 de maio, no dia seguinte à derrota do Sporting em Madrid com o Atlético: “Alguns sócios pediram-me para que o presidente estivesse presente para lhe demonstrarem o desagrado com ele. Perante as respostas dele, houve reações e comentários menos bons contra o presidente. Isso levou-o a dizer ‘Façam o que quiserem’ mas em relação a ele, não tinha nada a ver com os jogadores (…) Nunca me foi pedido para bater em jogadores ou danificar seja o que for”.

Em paralelo, “Musta” admitiu também que a claque “já por várias vezes se dirigiu à Academia para falar, incentivar, motivar os jogadores para dérbis, no Natal, etc.”, deu como exemplo uma visita em 2016 numa altura em que o Sporting passava um mau período (“falámos e encorajámos os jogadores, ninguém entrou encapuzado e não houve agressões”) e realçou da relação com os próprios jogadores. “Nani frequentou a minha casa, já partilhei mesa de restaurante com William, João Mário, Rui Patrício, Marco Silva, Fábio Coentrão…”, referiu, falando dos “laços de amizade” que se criam.

“Ao contrário do que alguns dirigentes pensam, a Juve Leo não serve só para cantar e abanar a bandeira. Somos sócios do clube e também temos a nossa opinião (…) Seja quem for o presidente, a relação tem de ser boa. Em relação a Frederico Varandas, após uma reunião em que disse que contava comigo muitos anos comigo no Sporting, houve quem tentasse desestabilizar, criando guerras inexistentes”, frisou ainda o líder da Juventude Leonina.

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