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Greve geral no Brasil regista atropelamento e intervenções policiais

A greve geral convocada pelos sindicatos brasileiros, para contestar a reforma do sistema de pensões, registou um atropelamento no Rio de Janeiro e obrigou a intervenções policiais em várias cidades.

SEBASTIAO MORE/EPA

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  • Agência Lusa
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A greve geral convocada para sexta-feira pelos sindicatos brasileiros, para contestar a reforma do sistema de pensões, registou um atropelamento no Rio de Janeiro e obrigou a intervenções policiais em várias cidades, avança a imprensa local.

Cinco manifestantes que aderiram à greve geral em Niterói, no estado do Rio de Janeiro, foram atropelados por um carro que acelerou diante de uma via bloqueada por integrantes do protesto, relata o portal de notícias G1, acrescentando que as vítimas são duas professoras universitárias e três estudantes. O veículo colocou-se posteriormente em fuga.

As vítimas foram levadas para o Hospital António Pedro, localizado na mesma região do incidente, não tendo sido divulgado o seu estado de saúde.

Ainda no Rio de Janeiro, transportes públicos e aeroportos operaram normalmente, mas os trabalhadores bloquearam várias artérias da cidade, o que obrigou à intervenção da polícia militar, que usou bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes.

Na Avenida Paulista, principal via de São Paulo, maior cidade do Brasil, um grupo ocupou todas as faixas, encerrando-a nos dois sentidos durante parte da tarde de sexta-feira.

A estrada que dá acesso ao aeroporto de Guarulhos foi também bloqueada, para impedir que os passageiros deixassem São Paulo.

Os manifestantes ergueram uma faixa de grandes dimensões com a frase “Fora Bolsonaro”.

Ao início da noite, os manifestantes e a polícia envolveram-se em confrontos na Avenida paulista, resultando no lançamento de bombas de gás por parte das autoridades.

O metro de São Paulo funcionou parcialmente e os autocarros municipais operaram com 100% da frota, segundo a SPTrans, sociedade ‘São Paulo Transporte’.

Na Região Central de Porto Alegre, capital do estado de Rio Grande do Sul, um ato de protesto bloqueou em ambos os sentidos uma das principais vias da cidade.

O jornal Folha de S.Paulo informou que, em Porto Alegre, a polícia militar deteve 54 manifestantes que se encontravam em protesto, durante a madrugada, em frente à garagem de uma empresa de transporte público de passageiros.

A greve geral de sexta-feira no Brasil tem apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e CSP-Conlutas, além de outros grupos de trabalhadores, partidos políticos e movimentos sociais.

“Não mexam nas nossas aposentações nem nos nossos direitos. Não duvidem do poder de mobilização dos sindicatos do Brasil” disse, em nota, o presidente da CUT, Vagner Freitas.

Até ao momento, aproximadamente 45 milhões de trabalhadores brasileiros aderiram à greve geral, com atos de protesto registados em mais de 375 cidades do país, segundo um balanço divulgado pelas centrais sindicais.

“Em praticamente todo o país, as agências bancárias amanheceram fechadas. Em São Paulo, principal centro financeiro do país, os bancos não abriram. Trabalhadores e trabalhadoras da educação também aderiram massivamente à greve geral. Escolas públicas e particulares, universidades e institutos técnicos permaneceram fechados nesta sexta-feira”, diz a CUT na sua página da internet.

Segundo os organizadores, o objetivo da greve geral é impedir que as recentes propostas para o sistema de pagamento de pensões, como por exemplo o aumento no tempo de contribuição e a implantação de uma idade mínima para os trabalhadores obterem pensões por reforma sejam aprovadas no Congresso.

No início do ano, o Governo brasileiro enviou um projeto à Câmara dos Deputados (câmara baixa parlamentar) para alterar o sistema de pensões alegando que o país precisa fazer mudanças para controlar o défice crescente que prejudica as contas públicas e estaria levando o país em direção a um colapso fiscal.

Já os trabalhadores organizados reclamam que as propostas não foram debatidas com a sociedade e irão afetar a parcela mais pobre da população, tirando o direito de milhares de pessoas de terem pensões por reforma na velhice.

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