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Caso Lava Jato

Moro novamente acusado de liderar ilegalmente investigação contra corrupção no Brasil

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Foram publicados diálogos inéditos em que o chefe dos procuradores da Lava Jato terá avisado uma procuradora que o ex-juiz Moro pediu a inclusão de provas sobre uma transação bancária.

O Ministério da Justiça negou que o juiz tenha contestado a colaboração de Cunha

ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

O ministro da Justiça do Brasil, Sérgio Moro, terá atuado ilegalmente na Lava Jato ao pedir a inclusão de provas, criticar negociações sobre colaboração e interferir nas investigações quando era juiz da operação, refere esta sexta-feira a revista Veja.

Numa extensa reportagem, a Veja disse ter verificado mais de 600 mil mensagens trocadas por integrantes da equipa da investigação da Lava Jato em parceria com o portal jornalístico The Intercept.

Desde o dia 9 de junho, o The Intercept publica – agora também em parceria com outros media — notícias com base em informações que obteve de uma fonte anónima e que colocou em causa a imparcialidade da Justiça na operação Lava Jato, a maior investigação contra a corrupção do Brasil.

Na edição desta semana, a Veja publicou diálogos inéditos em que o chefe dos procuradores da Lava Jato, Deltan Dallagnol, terá avisado uma procuradora que o ex-juiz Sergio Moro pediu a inclusão de provas sobre uma transação bancária realizada pelo lobista Zwi Skornicki para Eduardo Musa, um ex-funcionário da Petrobras.

A conversa ocorreu no sistema de mensagens Telegram e, segundo a Veja, indica uma provável violação cometida pelo ex-juiz Moro, que pediu a inclusão de informações num processo que iria posteriormente julgar, violando a legislação processual e o Código de Conduta da Magistratura.

Em defesa de Moro, o Ministério da Justiça do Brasil alegou que a revista Veja não deu ao ministro acesso ao conteúdo das mensagens reportadas, pelo que o ministro não tem “como confirmar ou responder pelo conteúdo de suposta mensagem entre terceiros”.

De todo modo, caso a Veja tivesse ouvido o ministro, ou checado os fatos, saberia que a acusação relativa ao depósito de 80 mil dólares [71,3 mil euros na cotação de hoje], de 7 de novembro de 2011, e que foi incluído no aditamento da denúncia em questão, não foi reconhecido como crime na sentença proferida pelo então juiz”, acrescentou o comunicado.

Segundo a Veja, Moro também terá enviado mensagens a Dallagnol no ano de 2017, perguntando sobre a negociação de um acordo de delação premiada [confissão de crimes em troca de redução da pena] entre o Ministério Público Federal (MPF) e o ex-deputado Eduardo Cunha.

Além de questionar um procurador sobre factos referentes as investigações e acordos de colaboração, o que seria ilegal, Moro terá manifestando claramente ser contrário ao acordo, além de pedir para ser informado sobre o andamento das conversas com advogados.

Eduardo Cunha, ex-presidente da câmara baixa do Congresso brasileiro, foi o responsável pelo início do processo de destituição da ex-presidente Dilma Rousseff.

Acusado, ele acabou também destituído do mandato parlamentar, condenado e preso por envolvimento nos casos de corrupção investigados pela Lava Jato.

Na nota, o Ministério da Justiça negou que o juiz tenha contestado a colaboração de Cunha, alegando que a “eventual colaboração de Eduardo Cunha, por envolver supostos pagamentos a autoridades de foro privilegiado, jamais tramitou na 13ª Vara de Curitiba ou esteve sob a responsabilidade do ministro [Moro], então juiz”.

Desde que as trocas de mensagens entre o ex-juiz e membros do MPF que atuam na Lava Jato se tornaram públicas, os envolvidos tem repetido que sempre agiram conforme a lei e que não podem garantir a veracidade dos diálogos divulgados pelo site The Intercept Brasil.

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