O líder parlamentar do PS cessa aqui as suas funções no Parlamento. Carlos César anunciou isto mesmo num jantar de final da legislatura da bancada socialista, em Belém, onde contou com a presença do líder do partido, António Costa, os deputados do PS e também o líder do Governo Regional dos Açores, o socialista Vasco Cordeiro, que sucedeu a Carlos César no cargo.

É tempo de dar lugar a outros contribuindo para um salutar principio de renovação dos cargos políticos”, disse o socialista para justificar a sua decisão.

Carlos César não será candidato a deputado na próxima legislatura, o seu nome não constará na lista de candidatos. Por isso mesmo também não será o candidato do PS — como chegou a ser falado — a presidente da Assembleia da República na próxima legislatura, já que não estará no Parlamento. No jantar esteve também o atual presidente, Ferro Rodrigues, que Carlos César chegou mesmo a chamar ao palco, antes do seu anúncio, para que pudesse dirigir-se à sala.

Nos últimos meses chegou a ser noticiada a luta entre César e Ferro pelo lugar de presidente da Assembleia da República na próxima legislatura, mas o líder parlamentar que está prestes a encerrar funções disse que a decisão de não se recandidatar estava tomada “desde os primeiros momentos de 2015” e que foi “reiterada em muitas circunstâncias, nomeadamente em fevereiro de 2018”. Mas Carlos César não detalhou que cargos rejeitou ao longo deste mandato do PS no Governo.

Estou muito honrado com todos os convites que tive ao longo destes anos que, por diversas razões, não pude aceitar”, disse César.

Ainda assim, este não é o abandono da política. Carlos César continua a ser presidente do PS e afirmou que não se exclui “da participação política das responsabilidade cívicas”, embora garanta que a sua participação futura será “sobretudo como cidadão”.

António Costa subiu ao palco logo de seguida, para começar por dizer que “felizmente já tivemos o Estado da Nação porque agora estamos em estado de emoção”. O líder socialista referia-se, assim, à despedida de Carlos César que já tinha referido ter com Costa uma “amizade velha mas não envelhecida”.

No seu discurso, no mesmo jantar, Costa disse não se recordar de “uma legislatura onde a relação entre o Governo e o seu grupo parlamentar tenha sido mais amigável”. Expressou a sua “enorme admiração por Carlos César” pela sua “clarividência e assertividade política que raramente encontramos”.

Costa também confirmou que ao longo destes últimos anos insistiu em desviar César para outros cargos: “Ao longo destes quatro anos tivemos sempre a mesma conversa e, apesar do meu otimismo nunca me ter permitido desistir da insistência, a determinação de Carlos César venceu o meu otimismo. Percebo-o muito bem, respeito, como camarada e amigo a decisão”.

O líder socialista não deixou de dar uma palavra a Eduardo Ferro Rodrigues pelo papel como presidente da Assembleia da República e classificou mesmo como “decisiva” a sua eleição, “para que esta solução de Governo tivesse sido possível”. Resta saber se isto quer dizer que é em Ferro que Costa aposta para o mesmo cargo na próxima legislatura.

Artigo atualizado com as declarações de Carlos César