Sinisa Mihajlovic assumiu o primeiro posto técnico após abandonar a carreira no Inter, onde esteve dois anos como adjunto da equipa principal. A partir de 2008, quis fazer o seu caminho sozinho, como número 1. E foi uma década que começou e acabou no mesmo clube, o Bolonha. Pelo meio, passou por Catania, Fiorentina, seleção da Sérvia, Sampdória, AC Milan e Torino – tendo ainda assinado um contrato com o Sporting que foi rescindido apenas nove dias depois, quando os leões fizeram a transição na SAD do destituído Bruno de Carvalho para a Comissão de Gestão que colocou Sousa Cintra no comando do futebol. No banco, nunca ganhou qualquer troféu. Mas a partir de agora o seu jogo passará a ser outro e bem mais importante.

“Feliz ou infelizmente, realizámos uns testes que revelaram algumas anomalias, problemas que não tinha há uns meses. Tive uma febre, não dei grande atenção a isso, depois os exames  que fiz acabaram por revelar que tenho leucemia. Quando ouvi o diagnóstico foi um choque. Sentei-me durante dias, a chorar. Nestes momentos, a vida passa-nos diante dos olhos. Não foram lágrimas de medo, foram de respeito pela doença – e vou enfrentá-la de peito aberto, olhos nos olhos, como sempre fiz. Mal posso esperar por começar esta luta. É agressivo mas está ao meu alcance. Expliquei isto aos meus jogadores, disse-lhes que vou ganhar esta batalha. Com a minha tática vou definitivamente ganhar esta batalha”, confessou em conferência de imprensa.

“Recebi umas 600 ou 700 mensagens nos últimos dias e peço desculpa por não ter respondido. Queria tirar algum tempo para mim, para me livrar de todo o negativismo, para estar preparado para esta luta. Aposto que vocês pensavam que era uma das últimas pessoas que podia ficar doente. Treino, sou grande e forte, fiz exames a 28 de fevereiro, estava tudo bem… Treinei todos os dias até maio, viajei e estava normal, sem sintomas ou dores. O meu pai morreu de cancro e é por isso faço exames com regularidade. Se não tivesse feito estes testes, nunca saberia que estava doente”, acrescentou Sinisa Mihajlovic na mesma conferência, completando: “Não devemos pensar que somos indestrutíveis. Todos pensamos que só acontece aos outros, mas quando nos acontece é um choque tremendo. Só se espera que o problema tenha sido detetado a tempo”.

O antigo defesa, central ou lateral esquerdo, hoje com 50 anos, teve uma carreira de sucesso que começou no Borovo, passou pelo Vojvodina (onde foi campeão da antiga Jugoslávia) e conheceu o primeiro ponto alto no Estrela Vermelha, onde ganhou dois Campeonatos, uma Taça dos Clubes Campeões Europeus e uma Taça Intercontinental. Rumou depois para Itália em 1992, onde jogou ao longo de 14 anos entre Roma, Sampdória, Lazio e Inter, tendo conquistado duas Series A, quatro Taças, três Supertaças, uma Taça dos Vencedores das Taças e uma Supertaça Europeia até encerrar a carreira em 2006.

“Espero que o meu exemplo sirva para as pessoas fazerem exames regularmente e se prepararem para a possibilidade de algo assim poder acontecer. A nossa vida pode mudar radicalmente. Quando tens um pesadelo acordas e fica tudo bem; este pesadelo é real. Nada na vida me foi dado de mão beijada e vou lutar agora também”, concluiu Mihajlovic.