O encontro tinha acabado, os jogadores cumprimentavam-se. Os do Pescara de cabeça em baixo, os da Juventus com aquele sentimento de dever cumprido. Gianluigi Buffon, capitão da Vecchia Signora, atravessou o campo para ir cumprimentar o guarda-redes dos visitados, que tinham sido goleados por 6-1 (com 5-1 ao intervalo), e que mesmo assim tinha sido dos melhores entre a equipa da casa. “Gostava de dar uma grande prenda a mim próprio: fazer um jogo enorme pelo Pescara e ficar com a camisola do Gigi”, comentara na véspera do jogo que coincidia com o 20.º aniversário. “Disse-me para nunca desistir. É o melhor de sempre. Não o conhecia, falei com ele pela primeira vez, disse-me para não me preocupar”, referiu no final.

Desde miúdo que que Mattia Perin entrou no radar do futebol italiano. Depois de passar por clubes como o Pro Cisterna e o Pistoiese na formação, terminou esse ciclo nas camadas jovens pelo Génova, clube onde faria a estreia como sénior. Ter 1,88 metros também ajudou a que se destacasse. Buffon sempre foi a grande referência, Walter Zenga o maior termo de comparação entre a imprensa transalpina. Uma coisa é certa: com ele, Donnarumma e Alex Meret, com 26, 20 e 22 anos, a baliza da squadra azzurra está assegurada, mantendo uma longa tradição que consagrou alguns dos melhores de sempre.

“Somos diferentes, fazemos coisas que vão contra o instinto humano como atirarmo-nos para o chão. Todos os dias nos atiramos umas 200 vezes. Depois somos atingidos pela bola, somos pontapeados na cara e não temos medo. Somos os mais corajosos e temos uma agilidade mental superior à maioria”, comentou a propósito do paralelismo com Donnarumma. “Ele é um prodígio. Antes de me lesionar, tive algumas épocas excelentes e é normal ser menos falado agora porque no último ano e meio fiz apenas 20 jogos. É o futebol. Quando voltar, vai ser tudo diferente. Não sei se é bom ou mau mas vou ser uma pessoa diferente, em termos físicos como antigamente mas com fome, raiva e objetivos. Tenho fogo dentro de mim”, acrescentou.

Conhecido pelo lado descontraído fora dos relvados, como ficou bem expresso numa reportagem do Eurosport que foi recuperar os seus tempos no Pistoiese, Mattia Perin, futuro reforço do Benfica para a próxima temporada, já teve alguns problemas físicos mais complicados que o levaram a operar os dois joelhos, recuperando agora de uma lesão no ombro. Apesar dos azares, e de uma passagem pela Juventus onde acabou por não conseguir afirmar-se perante Szczesny, mantém o tal “fogo” para se afirmar e a próxima paragem, na Luz, coincide com a primeira aventura no estrangeiro aos 26 anos, depois de já ter chegado a internacional na equipa principal de Itália e de ter feito parte dos convocados para o Campeonato do Mundo de 2014.

Perin, à direita, com a referência Buffon e Donnarumma à esquerda: o passado e o presente da baliza da Itália (Claudio Villa/Getty Images)

Depois de ter rodado do Pádua e no Pescara, Perin regressou ao Génova, onde fez mais de 150 encontros oficiais antes de ser vendido por 12 milhões de euros (mais três de objetivos) à Juventus… para ocupar a vaga de Buffon, que entretanto saiu para o PSG antes de regressar agora a Turim para o final da carreira. Chegou a ser falado para a Roma, chegou a ser falado para o Inter, optou pelos bianconeri. “Fiz um longo e tortuoso caminho para chegar a uma grande equipa. Estou num dos cinco melhores conjuntos da Europa. Todas as pessoas pensaram que escolhi o caminho mais fácil mas gosto de desafios e venho com a ideia de aprender porque a competição entre mim e o Szczesny”, disse na apresentação pela Vecchia Signora. Um ano depois, com a vontade de ter mais minutos de competição, deixa a equipa de Ronaldo e chega ao campeão português.

Mattia Perin, o quarto italiano a representar o Benfica depois do lateral esquerdo Emanuele Pesaresi, do avançado Fabrizio Miccoli e do médio Bryan Cristante, terá na Luz um ordenado a rondar os 2,5 milhões de euros por cada uma das quatro épocas de contrato (além das habituais cláusulas por objetivos), numa operação que deverá ficar fechada entre 12 e 15 milhões de euros – e que levará o jovem lateral João Ferreira, que tem trabalhado com o plantel de Bruno Lage neste arranque de pré-época dos encarnados, no sentido inverso para Turim com uma cláusula de compra obrigatória entre dez e 12 milhões de euros. Segundo a imprensa italiana, Rui Costa, administrador da SAD das águias que ainda mantém um enorme peso na Serie A e no futebol transalpino, teve um papel determinante no acordo e na vinda do guarda-redes para a Luz.