Mais de 80% das páginas com conteúdos pornográficos não protegem os dados dos visitantes, que podem acabar nas mãos de gigantes tecnológicas como a Google e o Facebook. Duas investigações noticiadas em primeira mão pelo El País revelam que a maioria dos sites pornográficos mantém bases de dados com perfis detalhados dos utilizadores, não só de acordo com o que pesquisam dentro dessas páginas, mas também fora delas. E isso viola os mais elementares princípios do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados.

Uma das investigações foi conduzida por cinco especialistas da Imdea Networks, um instituto espanhol dedicado a investigações avançadas, e olhou para o modo como sete mil páginas com conteúdos para adultos geriu os dados dos clientes. A outra investigação foi publicada na revista científica New Media & Society e debruçou-se sobre a gestão de privacidade em 22 mil páginas pornográficas. Ambos os documentos concordam que a esmagadora maioria dos sites de pornografia ignoram completamente o direito à privacidade online.

Um dos maiores contribuidores para esse problema são os cookies, uma espécie de ficheiro que os sites depositam no computador quando alguém acede a essa página e que rastreia o comportamento do utilizador. Isso tem por objetivo facilitar a navegação futura, porque é assim que se podem guardar palavras-passe ou outro tipo de preferências. Só que há outros sites que introduzem cookies em páginas de terceiros — por exemplo, o Facebook poderia introduzir um cookie numa destas páginas para adultos e rastrear o que por lá pesquisa.

Ora, segundo as investigações noticiadas pelo El País, mais de 70% dos sites pornográficos contêm tantos cookies de outras páginas como os sites com conteúdos menos sensíveis, mas apenas 4% desses sites exibem um botão de consentimento, que é obrigatório. Mais: 97% das páginas com conteúdos para adultos não têm informações sobre quem são os proprietários desses websites. E só 16% das páginas pornográficas contêm políticas de privacidade.

Segundo o El País, da perspetiva do internauta, “é como ter a porta trancada, mas cheia de buracos do tamanho de bolas”. É que, segundo o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados, “a regra geral é que o tratamento dos tipos de dados listados é proibido”, incluindo “a vida sexual e a orientação sexual”. Isso não está a ser cumprido, mesmo quando os internautas utilizam páginas anónimas nessas pesquisas.