Já foram quase 30 mil, no início deste século, mas no ano letivo 2017/2018 o número de professores com menos de 30 anos desceu para 1.271. É uma quebra de quase 95%, segundo o Diário de Notícias desta quinta-feira, que cita o relatório Educação em Números 2019, da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC).

Por outro lado, o número de docentes com mais de 60 anos não parou de subir neste período: passou de 3.633 para 12.931 em 2017/2018, o que representa uma subida de 255%. O relatório refere ainda que, entre 2014 e 2018, se aposentaram cerca de 4.500 docentes, prevendo-se que, até 2023, sejam mais 11.000 a chegar à reforma. Em menos de 20 anos, o País perdeu mais de 30.000 professores, avança o jornal.

O relatório revela ainda, citado pelo Correio da Manhã, que o País tem hoje 146.830 professores (quase 127.000 são funcionários públicos). No ensino público, o número de docentes é agora o mais alto dos últimos 5 anos.

Já o número de alunos está a descer. Em 10 anos, as escolas portuguesas perderam mais de 427.000 estudantes, a maioria no ensino público (menos 310.000 alunos). No ano letivo 2017/2018, eram 1.628.985. A maior quebra verifica-se no 3º ciclo — são agora menos 157.000 alunos.

O valor mais alto desde o início do século foi registado no ano letivo 2008/2009: 2.056.148 alunos.

Fenprof vê envelhecimento do corpo docente “com muita preocupação”

Mário Nogueira, líder da Fenprof, vê “com muita preocupação” os números que dão conta do envelhecimento do corpo docente. Em declarações à Rádio Observador, o sindicalista disse que “hoje há escolas em que o professor mais jovem tem acima dos 50 anos, e na maior parte delas não há um único professor até 30 anos”, acrescentando que “a maior parte dos professores até 30 anos estão no sistema público” de ensino. “Portugal é o segundo país da OCDE com o corpo docente mais velho, a seguir a Itália.”

“É perigosíssimo”, considerou, até porque “os cursos atuais para professores têm muito poucos candidatos e muitos daqueles que já tiraram o curso há oito ou dez anos, já mudaram de profissão, quer por força da precariedade, quer por força do desemprego”.  Mário Nogueira apontou os baixos salários como um dos fatores que desencoraja os jovens a escolher a profissão.

O líder da Fenprof avançou, por isso, que na abertura próximo ano escolar, no dia 2 de setembro, a Fenprof vai centrar-se neste “problema que tem de ser resolvido pelo Governo”. E apelou a “medidas urgentes que permitam, por um lado, valorizando os professores e melhorando as condições de trabalho, atrair jovens para a profissão, recuperar aqueles que já têm os cursos e permitir que os mais velhos se aposentem”. “O Governo reconhece o problema e nada fez”, concluiu.