Rádio Observador

Combustível

Combustíveis. Sindicatos dos motoristas mantêm greve, mas aguardam resposta dos patrões

123

Governo e sindicatos que entregaram o pré-aviso de greve estiveram reunidos no Ministério das Infraestruturas. Trabalhadores dão aos patrões até sexta-feira para responder às reivindicações.

ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Autor
  • Beatriz Ferreira

Terminaram as reuniões entre o Governo e os sindicatos que assinaram o pré-aviso de greve (o das matérias perigosas — SNMMP  — e o dos motoristas de mercadorias — SIMM). Os motoristas vão manter a greve, por enquanto, mas aguardam uma resposta dos patrões às suas propostas. E apontam uma data limite: sexta-feira. Até ao final da semana, os patrões terão de responder às propostas que os sindicatos agora transmitiram ao ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos.

Isto porque no sábado se realiza um plenário de trabalhadores (SIMM e SNMMP), o último antes da greve marcada para segunda-feira. “Será a última oportunidade antes da greve”, disse Pedro Pardal Henriques.

Já Anacleto Rodrigues, porta-voz do SIMM, garantiu por sua vez que o Governo se mostrou “empenhado em usar a sua influência para que ANTRAM volte às negociações” até ao final da semana. Para isso, o Executivo deverá fazer chegar à associação patronal as propostas colocadas em cima da mesa nesta segunda-feira. Esta posição do sindicato surge apesar de os patrões do setor já terem dito que não vão enviar nova contraproposta, nem reunir-se com os sindicatos com uma ameaça de greve em cima da mesa.

Por outro lado, a reunião entre o Governo, FECTRANS e ANTRAM, que estava marcada para as 15 horas desta segunda-feira, foi adiada para esta terça-feira, às cerca de 9h30 horas, apurou o Observador. A razão do adiamento prende-se com o facto de a reunião entre Governo e os sindicatos que assinaram o pré-aviso de greve  se ter prolongado.

Mais de 5 horas de reunião. O que se avançou?

A reunião no Ministério das Infraestruturas começou pelas 11h30, entre o SIMM e o ministro Pedro Nuno Santos, com o objetivo de dar a conhecer as reivindicações do sindicato ao Governo, disse Anacleto Rodrigues, porta-voz do SIMM. Este encontro inicial não contou com a presença da ANTRAM — ao Observador, a associação patronal já tinha dito que não fora convocada para a reunião, acrescentando que, mesmo se tal tivesse acontecido, só iria ao encontro caso fosse retirado o pré-aviso de greve — nem do SNMMP. Questionado pelo Observador sobre esta ‘divisão’, Pedro Pardal Henriques considerou apenas tratar-se de uma “estratégia negocial” do Governo.

A discussão parou para almoço, pelas 13h30, tendo sido retomada já depois das 15 horas, atrasando a reunião que estava marcada para essa hora entre Governo, ANTRAM e FECTRANS para a discussão do contrato coletivo de trabalho. Esse encontro acabou mesmo por ser adiado para esta terça-feira, às cerca de 9h30 horas, apurou o Observador, devido ao prolongamento da reunião dos motoristas com o Governo.

Mas, ao fim de mais de cinco horas de discussão entre ambos os sindicatos e o Governo, que novos passos se deram?

“O Governo deu-nos várias hipóteses de fazermos outro caminho”, frisou Anacleto Rodrigues. Que hipóteses? O sindicalista não quis avançar. Referiu, porém, que se regista “pela primeira vez empenho claro do Governo em resolver o diferendo”. “O Governo não tentou demover [os motoristas da greve]. Tentou chamar a atenção para o risco de lesar o país.”

Para o SIMM, mantém-se a proposta de aumentos de 100 euros em 2021 e outros 100 euros em 2020. Mas o sindicato garante que não é intransigente e que está aberto para ouvir as contrapropostas da ANTRAM, as quais terão de chegar até ao final desta semana, para que possam ser discutidas em plenário.

Já Pedro Pardal Henriques, disse que uma das hipóteses em cima da mesa para o SNMMP passa pelo aumento do salário base dos motoristas para 1.000 euros até 2025, com indexação ao crescimento do salário mínimo nacional. A proposta inicial era chegar a um salário base de 900 euros em 2022.

E porquê uma greve agora reivindicações de 2021 e 2022? “Estamos a reivindicar um contrato coletivo que vai vigorar durante três anos para repor a valorização salarial que não obtivémos”, sublinhou Anacleto Rodrigues.

Na última sexta-feira, o primeiro-ministro, António Costa, disse que a greve é uma “luta que o país não percebe” e que há um “claro sentimento social de revolta e incompreensão”, uma vez que a paralisação “se refere a aumentos salariais de 2021 e 2022, quando já estão acordados aumentos salariais de 250 euros para janeiro de 2020”. Palavras que não caíram bem junto dos motoristas, para quem as declarações de António Costa “vieram revoltar mais os trabalhadores”.

Peça atualizada com declarações prestadas pelos sindicatos, pelas 21:00.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Combustível

O mundo ao contrário

João Pires da Cruz
572

Se o seu depósito é mais importante do que aquilo que os pais deste bebé sentiram quando lhes disseram que o filho deles morreu instantes depois do nascimento, é porque tem o mundo ao contrário.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)