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Estados Unidos da América

Epstein fez testamento dois dias antes de se suicidar: pôs fortuna de 578 milhões em fundo privado

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Só em dinheiro no banco são mais de 56 milhões de dólares. Duas ilhas valem 86 milhões. Mas a fortuna foi colocada num fundo, o que pode complicar as indemnizações das vítimas de abuso sexual.

Detido na prisão de Manhattan, Jeffrey Epstein enforcou-se com os lençóis da cela

Neil Rasmus/Patrick McMullan via Getty Images

O milionário norte-americano Jeffrey Epstein assinou um testamento apenas dois dias antes de se suicidar na prisão de Manhattan — onde se encontrava detido a aguardar julgamento por crimes sexuais contra adolescentes —, no qual deixa toda a sua fortuna ao seu irmão, Mark Epstein.

O documento, divulgado esta segunda-feira pelo jornal norte-americano The New York Post, permite avaliar a fortuna de Epstein em cerca de 578 milhões de dólares (cerca de 521 milhões de euros).

Só em dinheiro no banco são mais de 56 milhões de dólares, a que se juntam mais de 112 milhões de dólares em capitais em várias empresas nas quais o milionário tinha investimentos. Alguns dos valores mais impressionantes são, porém, os do património particular de Epstein. Em aviões, carros e barcos, mais de 18 milhões de dólares; uma mansão em Nova Iorque (56 milhões de dólares), um rancho no Novo México (17 milhões); uma casa em Palm Beach (12 milhões); uma propriedade em Paris (8,6 milhões), e duas ilhas (86 milhões).

Dois dias antes da morte, Epstein colocou todo o seu património e os seus ativos num fundo e nomeou como executores do seu testamento os advogados Darren K. Indyke e Richard D. Kahn.

O fundo está sediado nas Ilhas Virgens, onde Epstein tinha duas ilhas e residência oficial. De acordo com a Bloomberg, a criação de um fundo onde o património vai ser administrado e distribuído aos herdeiros (o único é o seu irmão) pode colocar entraves ao pagamento de possíveis indemnizações às vítimas do milionário. Previsivelmente, com a morte de Epstein, os processos em tribunal vão focar-se agora nas indemnizações, que teriam de ser pagas a partir do património do magnata.

Um advogado especialista em património explicou à Bloomberg que o tempo que o milionário passou na prisão pode não ter sido o suficiente para que todos os procedimentos legais para a passagem dos ativos e do património para o fundo tenham sido cumpridos. “Seria difícil transferir tudo tão rapidamente. Se ele não transferiu os ativos para o fundo antes de morrer, então as vítimas podem simplesmente ir atrás dos executores do património. Aí, não interessa para quem vai o património”, explicou o advogado Bruce Steiner.

O fundo — chamado “The 1953 Trust” devido ao ano de nascimento do milionário — é particular e os detalhes da execução não têm obrigatoriamente de ser revelados ao tribunal.

Jeffrey Epstein suicidou-se na semana passada, enforcando-se com os lençóis da cela. Foi acusado por uma série de mulheres de crimes sexuais e estava acusado de abuso sexual e de tráfico sexual de menores. Aguardava julgamento na prisão de Manhattan.

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