A chefe do governo regional de Hong Kong, Carrie Lam, sugeriu ceder a algumas exigências dos manifestantes, como a eliminação da lei da extradição, num relatório enviado a Pequim durante este verão. O Governo central chinês, contudo, rejeitou a proposta e ordenou-lhe que se mantivesse firme na sua posição.

A notícia é dada pela agência Reuters, que falou com três fontes envolvidas no processo e que confirmaram a existência do relatório e a resposta de Pequim. Contactado pela agência, o gabinete de Lam confirmou que o seu governo fez esforços para considerar as preocupações dos manifestantes, mas não fez comentários sobre o relatório ou sobre a resposta do Governo central chinês. Este, por sua vez, não respondeu às perguntas da agência internacional.

O relatório de Lam terá sido apresentado algures nos dois meses antes de uma reunião entre Carrie Lam e representantes chineses, a 7 de agosto, em Shenzhen (região na fronteira com Hong Kong). Segundo um representante chinês ouvido pela Reuters, o relatório foi apresentado do Grupo de Coordenação Central para os Assuntos de Hong Kong e Macau e o Presidente Xi Jinping tem conhecimento da sua existência.

No documento analisavam-se as cinco exigências feitas pelos manifestantes (eliminação da lei da extradição, inquérito independente à ação policial nas manifestações, demissão de Carrie Lam, libertação de ativistas detidos e mais liberdades democráticas) e, de acordo com as fontes ouvidas pela Reuters, Hong Kong ter-se-á mostrado disponível para retirar de vez a lei da extradição e abrir uma investigação à ação policial. O objetivo, explicou uma dessas fontes, era o de ajudar a pacificar os protestos. Atualmente, a lei da extradição está suspensa, mas não foi formalmente retirada.

A resposta de Pequim, contudo, foi clara: Carrie Lam não deveria tomar nenhuma dessas iniciativas. “Eles disseram que não a tudo”, afirmou uma das fontes, próxima do governo de Hong Kong. “A situação é muito mais complicada do que a maioria das pessoas pensam.” Outro dos responsáveis ouvidos pela Reuters, mais próximo de Pequim, confirmou que a China rejeitou as propostas e demonstrou que gostaria que o governo regional de Hong Kong tomasse mais iniciativa nesta questão.