Portugal já não é sinónimo de casas baratas” e as habitações renovadas em Lisboa, bem situadas, “não são necessariamente mais baratas do que em muitas cidades francesas, incluindo Paris“, avisa o jornal francês Le Figaro, num texto publicado esta sexta-feira. Não é difícil ver casas, no centro da capital, cujo preço supera os 10.000 euros por metro quadrado — e para poder comprar alguma coisa mais barata só fazendo alguns “sacrifícios”, entre os quais ir para os subúrbios.

O jornal francês diz que até recentemente uma mudança para Lisboa — do ponto de vista, por exemplo, de um reformado francês — era uma opção que só tinha vantagens. A legislação que foi aprovada em Portugal isentou o pagamento de impostos sobre o rendimento durante 10 anos (ao mesmo tempo que em França essas contribuições foram agravadas, no tempo de François Hollande). Juntando a isso habitação relativamente barata e um baixo custo de vida, Portugal foi uma alternativa imperdível para muitos franceses.

Embora no que diz respeito ao custo de vida “ir a um restaurante ou às compras em Portugal ainda dê a sensação de se ser mais rico do que em França”, no mercado imobiliário essa tendência está a mudar, escreve o jornal. “Os preços duplicaram, no mínimo, nos últimos quatro anos”, diz Sylvie Santos, uma especialista do setor imobiliário português da Marc Foujols, ouvida pelo Le Figaro.

A representante da Marc Foujols conta que vendeu um apartamento de 200 metros quadrados, com terraço, na Avenida da Liberdade, por três milhões de euros — ou seja, 15.000 euros por metro quadrado. Um outro, em Santa Catarina, com apenas 80 metros quadrados, foi vendido por 540 mil euros. É comum haver investidores estrangeiros — chineses, brasileiros — a pagar valores entre 8.000 e 10.000 euros por metro quadrado, “muitas vezes mais”, diz o jornal.

Mesmo saindo um pouco do centro, optando por uma zona como o Parque das Nações, um promotor imobiliário está a vender, em planta, casas a quase 7.000 euros por metro quadrado. São habitações premium com ginásio, piscina e vista sobre o Tejo. Os estúdios, de 38 metros quadrados, custam 265 mil euros — e permitem arrendar com uma taxa de rendibilidade anual de 4% para quem investir. Nesse mesmo empreendimento, referido pelo jornal, um apartamento com quatro quartos no sétimo andar custa 1,15 milhões.

O Le Figaro alerta os leitores para não levarem muito a sério o preço médio que, segundo as estatísticas, se praticam em Lisboa: cerca de 3.800 euros por metro quadrado. Este é um valor que é deflacionado pelos imóveis em mau estado, diz o jornal, já que tudo aquilo que é renovado ou modernizado custa bem mais do que isso.