Uma sanita de ouro foi roubada, na madrugada de sábado, do local onde se encontrava em exposição: o palácio Blenheim, no Reino Unido. A polícia britânica deteve um suspeito, mas a sanita de mais de um milhão de euros ainda não foi recuperada, informou a Polícia do Vale do Tamisa, que está a investigar o caso. Chegou a ser avançado que o próprio autor da peça teria orquestrado o golpe, mas o próprio acabaria por desmentir o boato.

“América”, a sanita de ouro de 18 quilates, é uma peça de arte criada por Maurizio Cattelan. Estava em exposição no palácio onde nasceu Winston Churchill desde dia 12 de setembro (e até 27 de outubro). Antes de chegar ao Reino Unido já tinha estado no Museu Guggenheim, em Nova Iorque.

O artista italiano é conhecido, descreve o The Guardian, como um brincalhão do mundo das artes. Neste caso, a piada estava em usar um material raro para fazer um objeto muito comum, contou o próprio ao jornal The Guardian. Mas a sanita não é só um objeto de arte, está plenamente funcional e, no Museu Guggenheim, atraía filas intermináveis de pessoas que queriam usá-la.

No Museu Guggenheim, a sanita criada em 2016 foi usada por 100 mil pessoas. Em Blenheim, cada pessoa tinha apenas três minutos para desfrutar do momento, para evitar criar filas tão grandes como no museu norte-americano.

Maurizio Cattelan, numa entrevista ao The Guardian antes do assalto, admitiu que nunca tinha usado a sanita. Antes da inauguração da exposição nos Estados Unidos estava em viagem e depois foi impossível. “A fila era demasiado longa. Mas espero ter mais sorte em Blenheim.” E terá conseguido. Segundo o jornal The New York Times terá mesmo sido o último a fazê-lo.

Agora, quando foi avisado do roubo, disse que pensava que se tratava de uma partida. “Quem é que é estúpido ao ponto de querer roubar uma sanita? Esqueci-me, por um segundo, que era feita de ouro”, disse ao jornal The New York Times. “Prometo que tenho um álibi para esta noite.”

A ligação às canalizações foi um dos problemas do assalto: ao arrancarem a sanita, os ladrões provocaram danos no palácio e uma inundação. A polícia suspeita que o grupo de assaltantes tenha usado dois carros e que terá tido acesso ao edifício depois de partir um dos vidros da entrada. A polícia deteve um suspeito de 66 anos, mas não sabe onde está esta obra. Os receios são que a sanita de ouro maciço tenha sido derretida.

Edward Spencer-Churchill, fundador da Fundação de Arte Blenheim, não previa que uma coisa destas pudesse acontecer. Antes da instalação da sanita tinha dito publicamente que seria difícil roubá-la. “Primeiro, está ligada à canalização e, segundo, um potencial ladrão não terá ideia nenhuma de quem foi a última pessoa a usá-la e o que comeu”, disse ao jornal The Sunday Times. “Portanto, não, não planeio estar a guardá-la.”