Os preços do mercado imobiliário português “parecem” estar em níveis “esticados“, considera o FMI, mas os riscos de uma correção negativa no curto prazo são “contidos“. A opinião do FMI surge no âmbito da análise aprofundada da banca portuguesa que foi concluída em junho e cujos resultados foram debatidos nesta terça-feira numa conferência em Lisboa, no Banco de Portugal (Museu do Dinheiro).

Em causa está o trabalho de escrutínio da banca portuguesa que foi feito recentemente em colaboração com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O Programa de Avaliação do Setor Financeiro (FSAP – Financial Sector Assessment Program) em Portugal foi feito entre maio de 2025 e junho de 2026, tendo o respetivo relatório sido apreciado pelo conselho de administração do FMI em 17 de junho de 2026, concluindo formalmente a avaliação.

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Durante a conferência, nesta terça-feira, Michaela Erbenova, diretora-adjunta do departamento de mercados de capitais do FMI, mostrou uma apresentação que se focou no mercado residencial como um dos possíveis riscos para o setor bancário – tendo em conta que o crédito à habitação é um dos principais negócios dos bancos e as casas cuja compra financiam são, tipicamente, os ativos que são dados pelos clientes como garantia do próprio crédito.

Os preços dos imóveis subiram 169% em Portugal desde 2015, o que compara com 55% na zona euro, destacou Michaela Erbenova. Por outro lado, o endividamento das famílias está abaixo da média da zona euro, mas “agora apresenta uma tendência de subida”, notou.

A conclusão é que os bancos portugueses manteriam a solidez mesmo em “cenários muito adversos”, com fortes desvalorizações dos preços no mercado imobiliário. “Os bancos são altamente resilientes a [eventuais] choques no mercado imobiliário“, conclui o FMI, numa conclusão que já era conhecida desde que foi comunicado o final do exercício do FMI.

Gohar Minasyan, economista sénior do FMI também presente na conferência, destacou que na análise a Portugal foram conduzidos testes de stress com cenários de correções dos preços das casas, nomeadamente uma análise de sensibilidade com uma queda de 40% no preço dos imóveis, e em todos os exercícios, os bancos conseguiam resistir aos choques.

A responsável reconheceu ainda que a acessibilidade à habitação “é um desafio significativo”, salientando que é importante que as políticas aumentem a oferta de habitação e, ao mesmo tempo, assegurem que os recursos públicos direcionados para este desafio vão para famílias que precisam mais.

Ainda assim, salientou a responsável do FMI na sua apresentação, “o ciclo do crédito está a virar e as ‘almofadas’ podem estreitar-se“. Ainda assim, o FMI sublinha que os “riscos no imediato são contidos“, ou seja, não é opinião do FMI que esteja iminente a concretização dos tais choques adversos que foram testados.

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No relatório que foi conhecido em traços gerais em finais de junho, o FMI já tinha feito alguns alertas por causa do imobiliário: “o aumento rápido dos preços do imobiliário justifica uma monitorização atenta, dado que a concessão de crédito à habitação está agora a acelerar”.

Embora as medidas macroprudenciais [os limites ao endividamento] “ajudem a limitar os riscos sistémicos”, os riscos do mercado habitacional exigem uma monitorização estreita. Ainda assim, o FMI tinha notado que os riscos relacionados com a habitação para a estabilidade financeira “estão atualmente contidos” e “o impacto de uma eventual correção extrema nos preços das casas no setor bancário é atualmente gerível”.