Vários portugueses não conseguiram votar no Consulado-Geral de Portugal em Barcelona porque os boletins de voto do círculo eleitoral de Lisboa já esgotaram. O prazo para votar antecipadamente no estrangeiro acabou às 15h00 desta quinta-feira e alguns eleitores ficaram impedidos de exercer o seu direito ao voto.

Ao Observador, fonte da secretaria de estado das comunidades portuguesas adiantou que o mesmo aconteceu noutras cidades, como Budapeste, Zagreb, Bogotá ou Maputo. Razão? “Não houve [boletins de] votos suficientes”.

Em Barcelona, este foi o caso de um grupo de estudantes que estão a fazer Erasmus na cidade e que foram informados previamente de que poderiam votar esta quarta e quinta-feira, entre as 9h00 às 15h00, desde que apresentassem um comprovativo de que estavam a estudar naquela cidade. Mas, na manhã desta quinta-feira, quando se dirigiram ao consulado, os dois estudantes do grupo que pertencem ao círculo eleitoral de Lisboa não puderam votar por falta de boletins de voto. Os restantes dois, um de Aveiro e outro de Viseu, puderam exercer o seu direito ao voto sem impedimentos.

Disseram-nos que o governo português só enviou 30 boletins de voto de cada capital de distrito e, como já 30 pessoas de Lisboa tinham vindo, não podíamos votar”, explicou um dos estudantes ao Observador.

Os dois jovens que se viram impedidos de votar apresentaram duas queixas no consulado — que fez aumentar para 17 o número total de queixas apresentada esta quinta-feira relacionadas com este problema, segundo lhes disseram no próprio Consulado. Ainda assim, não lhes foi apresentada uma solução para puderem votar. O Consulado apenas adiantou que este é o primeiro ano que a falta de boletins está a acontecer.

Ao Observador, fonte da Comissão Nacional de Eleições explicou que, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, o problema está mesmo relacionado com os estudantes que estão a fazer Erasmus em Barcelona. “Por regra, os Consulados pedem mais 20% de margem, mas foi insuficiente”, adiantou a mesma fonte.

A Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas já confirmou ao Observador a falta de boletins de voto referentes ao círculo eleitoral de Lisboa, no Consulado Geral de Portugal em Barcelona — que recebeu 30 boletins de voto referentes a cada um dos 20 círculos eleitorais. “A escassez de boletins de voto deveu-se à dificuldade em prever, com exatidão e antecedência, o número de cidadãos que ali se deslocariam para procurar exercer o seu direito de voto, visto que a legislação não obriga a qualquer inscrição prévia para este efeito”, disse fonte da secretaria de Estado numa resposta enviada por email.

Em São Tomé, boletins extra chegaram de avião. Eleitores têm agora hora e meia para votar

Em São Tomé, capital de São Tomé e Príncipe, também há portugueses com dificultadas em votar por falta de boletins de voto, não só do círculo eleitoral de Lisboa, mas também do Porto e Setúbal. Ao Observador, um português na ilha disse que na manhã desta quarta-feira se deslocou à Embaixada de Portugal em São Tomé e Príncipe para votar — o que não conseguiu fazer pelo mesmo motivo. Ali foi informado que, para o círculo eleitoral de Lisboa “vieram apenas 15 boletins de voto” que acabaram ainda na quarta-feira, antes do prazo.

Este problema obrigou a que fosse enviados, por avião, mais boletins de voto. A embaixada portuguesa enviou um email aos eleitores, a que o Observador teve acesso, onde informa “os eleitores que pretendam votar pelos círculos eleitorais de Lisboa, Porto e Setúbal” que o podem fazer esta “quinta-feira, dia 26 de setembro, das 17h30 até às 19h00”. Segundo informações mais recentes, durante a tarde desta quinta-feira em São Tomé o exercício de voto decorreu sem percalços.

Os boletins de voto extra vão chegar no voo da TAP das 17h00, daí o pedido para que os eleitores interessados em votar e que não o tenham podido fazer naqueles círculos eleitorais se desloquem à Embaixada amanhã [quinta-feira] das 17h30 às 19h00″, lê-se no email.

Esta quarta-feira, a Rádio Renascença já tinha denunciado também problemas com portugueses que tentaram votar em Seul, capital da Coreia do Sul, mas que não conseguiram pelo mesmo motivo: falta de boletins de voto do círculo eleitoral de Lisboa. A Secretaria de Estado das Comunidades Portugueses confirmou ao Observador que também na Embaixada de Portugal em Seul há falta de boletins do círculo eleitoral de Lisboa.

No Malí também houve problemas, adiantou fonte da secretaria de estado das comunidades portuguesas ao Observador. Um diplomata foi ao país para recolher o voto de 10 militares e contraiu uma doença respiratória.

Na sequência desta notícia, tem vindo a chegar relatos de portugueses que também terão sido impedidos de votar em Berlim, na Alemanha, e em Santiago, no Chile, devido a falta de boletins de voto.

Nas últimas eleições europeias foram remetidos 15.885 boletins e votaram 1.242 eleitores, dos quais 398 militares em funções. Para a Assembleia da República foram enviados cerca de 50 mil boletins, apurou o Observador.

[Artigo atualizado às 17h02 com a informação de falta de boletins de voto, também em São Tomé, às 17h26 com a resposta da Secretaria de Estado das Comunidades Portugueses e às 20h58 com mais informações de cidades onde houve também problemas. Corrigida às 21h48, o português de São Tomé não é residente na ilha.]