À porta, um Sá Carneiro em tamanho real, de cartão. Lá dentro, um palco que Sá Carneiro pisou. No antigo cine-teatro da Guarda, um edifício visivelmente degradado, o PSD lembrou Francisco Sá Carneiro e Rui Rio puxou por aquilo que entende serem as suas qualidades. Tudo para voltar a apontar baterias à “postura de hipocrisia e de manha” que alguns têm de fazer política — e que, garante, não é a sua.

“Foi aqui que Francisco Sá Carneiro fez o primeiro comício aqui na Guarda”, “foi daqui que Sá Carneiro saiu primeiro-ministro de Portugal”, disse Carlos Peixoto, líder da distrital da Guarda, estendendo o tapete para Rui Rio falar. E Rio, respondendo a perguntas de militantes e simpatizantes, optou por puxar dos seus galões. Quando a pergunta era sobre as formas de contornar a abstenção, Rio afirmou que o problema maior reside na descredibilização dos políticos. E foi aí que disse que, quanto a si, só conhece uma forma de fazer política.

“Estarmos na política com manha, hipocrisia, falsidade, é descredibilizador. Eu, o politicamente correto não sei fazer bem. Se fosse para continuar assim, eu não seria o protagonista. Se for para dizer o que penso, mesmo sujeito a ter um batalhão de comentadores contra mim, isso não me importo. Porque entendo que essa é a única forma de fazer política e entendo que é o que o país precisa”, disse, naquilo que foi entendido como um recado à postura “manhosa” que diz ser marca da governação de António Costa. Ao terceiro dia de polémica em volta de Tancos, Rui Rio absteve-se de fazer comentários sobre o tema — pelo menos de forma direta.

Quem o fez não foi Rio, mas Carlos Peixoto, deputado e líder distrital da Guarda, que falou antes dele. Segundo Peixoto, não há dúvidas de que o ex-ministro Azeredo Lopes “mentiu, encenou e defraudou” o Parlamento quando disse na comissão de inquérito que nada sabia. “Há uma acusação e essa acusação fala de troca de mensagens em que o então ministro diz que tinha conhecimento e que ia ao Parlamento mentir”, afirmou, fazendo a defesa da honra de Rui Rio no embate contra António Costa.

A ideia agora parece ser voltar a centrar o debate no caráter de Rui Rio. E quando foi questionado por uma militante local sobre se não se iria esquecer da Guarda quando (ou se) fosse primeiro-ministro, foi isso mesmo que Rui Rio fez: “A promessa que posso fazer é de não meter na gaveta os meus princípios todos, entre os quais está o de ser mais justo com o interior”, disse, prometendo uma melhor distribuição de prioridades a favor do interior, seja ele Guarda, Beja ou Bragança.