Em 2018/19, Mauricio Pochettino esteve perto de alcançar uma temporada histórica ao leme do Tottenham. Chegou à final da Liga dos Campeões, depois de uma reviravolta inesquecível perante o Ajax na segunda mão da meia-final, e acabou por perder às mãos de um Liverpool que tinha escrita nas estrelas a conquista do título europeu. Este ano, depois de uma época como poucas nos spurs, as expectativas eram difíceis de controlar: principalmente porque, e ao contrário do que aconteceu nos anos anteriores, o Tottenham nem sequer ficou parado no mercado de verão.

Chegou Ndombélé do Lyon, chegou Sessegnon do Fulham e chegou Lo Celso do Betis. No sentido oposto, saíram Trippier para o Atl. Madrid e Llorente para o Nápoles, duas ausências que pareciam remendáveis face à qualidade do plantel do clube londrino. No primeiro dia de outubro, o balanço daquilo que já é a temporada do Tottenham não podia ser menos previsível: os spurs levam dois empates, duas derrotas e duas vitórias na Premier League, foram eliminados da Taça da Liga por uma equipa do terceiro escalão inglês e os rumores de que será Mauricio Pochettino a rumar ao Real Madrid em cenário de saída de Zidane — levando consigo Eriksen — tornam-se cada vez mais palpáveis.

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Em Inglaterra, diz-se que Pochettino perdeu o controlo do balneário. Depois desta terça-feira e daquilo que aconteceu no novíssimo Tottenham Hotspur Stadium, dificilmente o treinador argentino voltará a tomar o controlo do grupo. Na segunda jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões e depois de um empate sofrível na Grécia com o Olympiacos de Pedro Martins, a equipa vice-campeã europeia recebeu um Bayern Munique que está a realizar um início de época convincente e que está na liderança da liga alemã com quatro vitórias em seis jogos. Ainda que o ambiente interno também não seja o melhor em Munique — Uli Hoeness, igual a si mesmo, protagonizou uma polémica na semana passada quando disse que iria impedir os internacionais de irem à seleção alemã se Manuel Neuer não fosse titular –, o Bayern aparecia em Londres assente no enorme momento de forma de Lewandowski, que já leva dez golos na Bundesliga.

O Tottenham até inaugurou o marcador, de forma algo surpreendente, por intermédio de Son Heung-min e ainda antes de estar cumprido o primeiro quarto de hora (12′). Mas enquanto os jogadores ingleses ainda festejavam, já Joshua Kimmich estava a empatar a partida na outra baliza, naquele que foi o primeiro golo da temporada para o lateral alemão (15′). Lewandowski colocou o Bayern a ganhar e confirmou a reviravolta no marcador no último minuto da primeira parte (45′) e Gnabry apareceu nos instantes iniciais do segundo tempo a bisar e a resolver o jogo para os alemães (53′ e 55′). Harry Kane ainda reduziu de grande penalidade (61′), Lewandowski fez o segundo (87′) e Gnabry marcou mais dois golos nos dez minutos finais (83′ e 88′), chegando ao póquer e elevando os números para uns escandalosos 2-7.

Serge Gnabry, o alemão que festeja os golos como James Harden, da NBA, festeja as vitórias — a simular que está a mexer algo num tacho –, marcou quatro golos, os primeiros quatro golos da carreira na Liga dos Campeões, tornou-se o primeiro de sempre a fazer um póquer na segunda parte de um jogo da Champions e cumpriu uma autêntica noite e exibição de sonho em Londres. O Bayern Munique é líder do grupo, com duas vitórias em dois jogos, e o Tottenham, vice-campeão europeu que parece estar a pagar a fatura de uma temporada acima das possibilidades, tem apenas um ponto, os mesmos que o Olympiacos e menos dois do que o Estrela Vermelha.