O galerista Philippe Esteves Mendes já tinha revelado ao Observador que a primeira pintura da famosa série “Femmes d’Alger”, do grande artista do romantismo francês Eugène Delacroix — que se encontrava perdida até ao galerista luso-francês a expor —, tinha sido “adquirida por um museu público dos EUA”. Não dissera logo o nome do comprador, prometendo fazê-lo em breve. Agora, já se conhece: trata-se do Museum of Fine Arts, de Houston, que revela em comunicado ter adquirido a obra e tencionar expô-la “a partir de 3 de outubro”.

Depois de meses de especulação sobre o destino desta pintura verdadeiramente extraordinária, estou muito feliz por poder dizer que a primeira pintura de Delacroix para a série ‘Femmes d’Alger’, há muito perdida, terá uma morada pública e permanente aqui em Houston”, afirma o diretor do museu, Gary Tinterow, citado no comunicado do museu.

O museu norte-americano, na cidade que fica no Estado no Texas, lembra que a autenticidade da obra, cuja origem remonta a 1833 ou 1834, foi corroborada pela “especialista em Delacroix, Virginie Cauchi-Fatiga”, tendo sido “exibida pela primeira vez em junho de 2019, na Galeria Philippe Mendes, em Paris”.

A pintura inédita de Delacroix que um galerista luso-francês revelou ao mundo

A história da descoberta da tela foi contada em junho pelo Observador. Na altura, o galerista luso-francês explicava que tinha recebido um contacto da proprietária da obra há cerca de um ano e meio. Nesse contacto, a dona da pintura mostrou-se interessada em vender a tela, que estava há muito perdida. A transação foi consumada, tendo Philippe Mendes servido de intermediário, além de liderar o processo de autenticação da pintura.

Até à nossa descoberta, sabia-se que existiam três “Femmes d’Alger”, todos diferentes entre si. Um é de 1834 e está no Louvre, é o mais importante de todos; outro foi pintado uns 15 anos depois e pertence ao Museu de Montpellier; e outro ainda, pintado mais tarde, está no Museu de Rouen. (…) A nossa descoberta traz uma nova leitura sobre o quadro do Louvre e traz elementos novos sobre a história destas três pinturas”, apontou Philippe Mendes ao Observador.

Adiantando ainda que a tela descoberta “esteve no leilão da coleção De Mornay em 1850”, Philippe Mendes contou que manteve segredo sobre a existência da pintura e pediu o mesmo a quem verificou a sua autenticidade para não revelar a obra até ter a certeza de que se tratava mesmo de um original de Delacroix. “Tive de imediato a sensação de estar perante algo importante, mas pedi para analisar”, recordou.

Ao Observador, o galerista luso-francês adiantou que quatro entidades museológicas internacionais tinham mostrado interesse em adquirir a obra, que acabou vendida ao Museum of Fine Arts, de Houston. Também tinha dado pistas sobre a dimensão do negócio: “O preço é de alguns milhões”, dissera.

Mestre do romantismo francês, Eugène Delacroix (1798-1863) é considerado um dos maiores nomes da pintura mundial, sendo conhecido pela obra “La Liberté Guidant le Peuple”, de 1830, no centro da qual surge uma figura feminina seminua, com a bandeira tricolor francesa na mão direita e uma arma de fogo na mão esquerda. “Femmes d’Alger Dans Leur Appartement”, de 1834, será a sua segunda obra mais famosa, “com a qual se inicia a modernidade na pintura”, classificou em junho Philippe Mendes, que também estudou história da arte na Escola do Louvre e nos Museus do Vaticano.